Foto: Ricardo Stuckert

Alexandre Padilha

Poucas gerações têm a oportunidade de conviver com personagens que, ao mesmo tempo, são atores da Conjuntura e da História. Temos todos, mesmo os que odeiam ou buscam retirá-lo da cena política, o privilégio de compartilhar com Lula ambas as perspectivas. Esta semana, dia 13 de Setembro, teremos mais um ato desta epopéia. Mais uma vez, diante do magistrado de primeira instância em Curitiba, teremos os dois Lulas.

O Lula Conjuntura, que lidera as pesquisas eleitorais, que acaba de realizar sua primeira etapa pelo nordeste brasileiro da sua nova caravana, com imagens de emocionar a todos e todas e de reposicionar um conjunto de forças políticas sociais e partidárias, sejam lideranças locais, sejam lideranças de porte nacional, em torno de uma alternativa para o país.

O Lula História, que mais uma vez desafia a seletividade do sistema judiciário brasileiro, os seus rituais excludentes, recheados de um fino trato anti-povo, com a suas peles claras e mentes voltadas para o hemisfério norte e de costas para o nosso próprio país. O Lula Historia que ali estará como estiveram os Rafaeis Bragas, os sem teto nas reintegrações de posse urbana, os sem terra nos atos de criminalização de suas lideranças, os trabalhadores e trabalhadoras rurais assassinados no Pará e Mato Grosso indefesos, os índios Guaranis cujas terras foram retiradas, as mulheres vítimas de violência que não conseguem enquadrar o seu agressor na Lei Maria da Penha, a população LGBT que não consegue provar a homolesbiotransfobia, a população negra que não consegue diante do juiz enquadrar seu agressor no crime de racismo.

O Lula Conjuntura, alvo das tentativas de reaglutinação da ampla coalizão político-jurídica-midiática que implementa um golpe no país, que rasga o nosso Pacto Constitucional de 88 e que toda vez que enxerga suas alianças internas sendo esgarçadas, por suas intrigas, pelas disputas institucionais, pelos seus movimentos erráticos, opera sempre a mesma estratégia para virar a página: “pau no Lula e em petistas ” ou “pau nos direitos sociais e dos trabalhadores e trabalhadoras”. De preferência em ambos.

O Lula História, cuja condenação em primeira instância já está marcada pela aberração jurídica duramente questionada por mais de uma centena de especialistas do Direito, submetida a uma série de constrangimentos internacionais, mas que mesmo assim parece querer se suceder nas suas fragilidades jurídicas, totalmente desavergonhadas em praticar medidas de Estado de exceção, quase 30 anos após o fim do período da ditadura militar.

Precavidos diante do sucesso do Presidente Lula no primeiro depoimento, em maio de 2017, e atônitos com o sucesso da caravana de Lula pelo Brasil e com o início do desgaste atual dos até então inatacáveis membros do poder judiciário, que contribuíram para instalação do atual governo ilegítimo e contribuem ou permanecem absolutamente passivos diante da implementação da agenda econômica deste mesmo governo, na última semana operou-se uma série de ações, mais ou menos coordenadas, buscando criar novamente um clima de pré-julgamento condenatório ao Presidente Lula para o dia 13 de Setembro que, provavelmente, será marcado também por julgamentos de processos envolvendo Zé Dirceu e Vaccari no TRF4 de Porto Alegre.

Entre as ações, a absurda tentativa de criminalização do PT e de suas lideranças, com a somatória de fatos desconexos entre si, temporalmente afastados por mais de uma década, sem vínculos de atuação entre suas principais lideranças, através das denúncias construídas em uma espécie de fim de feira do atual Procurador Geral da República, a chamada “hora da xepa” ou aquilo que os jovens chamariam do “After hours”, onde tudo pode acontecer.

Uma ação buscando caracterizar o PT como organização criminosa, cuja única associação possível da lista de associados é o fato de serem lideranças nacionais do PT. A outra, foi o espetáculo marcado pelo depoimento do ex-Ministro Palocci, uma espécie de documentário: “Isto é mentira”, para ocupar as grades dos telejornais em baixa de audiência em todo o Brasil.

As vésperas da chegada do presidente a Curitiba soma-se mais uma denúncia, a do MPF do Distrito Federal que busca criminalizar Lula no exercício da Presidência, associada a operação Zelotes que simplesmente ignora que tais medidas legislativas, sob as quais tenta-se impugnar vantagens indevidas a Lula, foram originárias do Governo FHC. Tais atores agem como se fossem aquelas torcidas uniformizadas do time da casa que passam a noite todo soltando rojão debaixo da janela do hotel do time visitante, quando se trata de véspera de uma decisão de campeonato.

O que escapa a estratégia do aparato policial-jurídico-midiático é que Lula consolidou no último período um Pacto com a verdade, com o povo e com a esperança. A Lula, e estaremos com ele, basta apenas inundar a sala do judiciário e sua telinha Global, com a Verdade! “Esse apartamento não é meu”; “estes terrenos e prédios nunca foram do instituto Lula” e “não, esta reunião não tratou desse tema”. Quando o presidente Lula ganha corpo na telinha, entram com ele milhões de brasileiros e brasileiras espalhados em cada canto desses país, que o chamam pelo apelido Lula, desprovidos de qualquer pompa e circunstância no contato direto com quem é Lula, em um ato vivo de gratidão pelo legado de mudanças e ao mesmo tempo demarcação de território, tomada de consciência, posicionando-se no movimento: “Lula estamos contigo”.

Mas aos olhos desse povo Lula não é somente quem o colocou no século XX, mas em um ambiente político atual, onde só se semeou ódio, Lula é a principal liderança que ainda projeta esperança para o povo brasileiro.

E é isso o que mais intriga o aparato policial-jurídico-midiatico do golpe. O fato de que o Lula História e Conjuntura vai a Curitiba levar àquelas salas o que eles se negam a ver: a verdade, o povo e a esperança. E todos nós estaremos juntos com eles. Nada me fará perder essa!

Alexandre Padilha é vice-presidente nacional do PT e foi ministro dos governos Lula e Dilma

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