Foto: Ricardo Stuckert

Por Benedita da Silva*

A Caravana Lula tem a mesma programação nos estados por onde passa. Fala com o povo nas praças e nas rádios locais. Fala com reitores, professores e estudantes nas universidades e instituto de educação que criou. Vimos empregadas domésticas emocionadas agradecer a Lula por seus filhos formados. Muitos jovens negros com seus diplomas nas mãos também agradecendo a oportunidade de ter cursado uma faculdade.

Na Caravana, Lula assume com o povo mobilizado o compromisso de resgatar seus direitos e fazer o país crescer novamente, gerando emprego e inclusão social. É o renascimento da esperança do povo expresso em duas palavras: Volta Lula!

Mas Lula fundamenta tudo o que propõe como fez na entrevista à rádio Continental de Campos/RJ: "Eles falam que a dívida pública cresceu em relação ao PIB. Só tem um jeito de diminuir a dívida pública. Aumentar o PIB. E para aumentar o PIB tem de ter investimento. E para ter investimento o Estado tem de ser indutor. Os bancos públicos têm um papel importante".

É uma visão totalmente oposta à política econômica do golpista Meirelles, que insiste nos dogmas superados do neoliberalismo num momento em que estes já são questionados até mesmo no FMI e Banco Mundial. Enquanto Lula defende investimentos públicos, politica de crédito e o mercado interno, para girar a roda da economia, a dupla Temer/Meirelles, com a receita do passado FHC, corta investimentos, suprime direitos e faz a privatização cega do patrimônio nacional.

A Caravana de Lula debate diretamente com o povo um programa de governo que vai fazê-lo retornar para o Orçamento Público e se tornar a prioridade do presidente.

Por onde Lula passa destaca três pontos: a retomada do crescimento, o resgate dos direitos sociais e trabalhistas e a prioridade da educação. Por isso Lula sempre visita uma universidade ou um Instituto de Educação. Como diz ele de forma precisa, "país rico não é o que exporta soja e minérios, mas o que exporta conhecimento, tecnologia, e isto só se consegue priorizando a educação do povo".

No último dia da Caravana pelo Rio de Janeiro Lula visitou o Campus da Universidade Rural em Nova Iguaçu e a UERJ. Com isso ele quis mostrar que a educação pública, gratuita, de qualidade e com cotas e a sua implantação no interior e nas periferias, como a Baixada Fluminense, continuará sendo prioridade caso volte a ser presidente, como é a vontade da maioria dos eleitores.

Mas Lula pretendeu manifestar também a sua indignação contra a absurda decisão de um governo estadual submisso, que visa fechar uma universidade pública de qualidade, como a UERJ, apenas para atender à política de privatização do ensino superior defendido pelo governo golpista.

Sobre a crise do estado Lula afirmou que a sua recuperação vai depender do governo federal voltar a investir no Rio de Janeiro, sobretudo para retomar o crescimento da indústria do petróleo e gás, do setor naval e dos investimentos da Petrobras. E que a violência que existe no Rio, mas também em todo o país, se enfrenta não somente com "polícia, armas e inteligência", mas principalmente gerando emprego e investindo na educação pública.

Pelo enorme apoio popular e pelos compromissos com a retomada democrática do Brasil, a Caravana de Lula vai muito além das eleições de 2018 e expressa algo mais profundo. Ela expressa a resistência democrática e o renascimento da consciência de cidadania de um povo que não aceita ser tratado pelo governo golpista como uma massa resignada de escravos. É isso o que significa o grito que ouvimos em toda parte: Lula de novo com a força do povo!

Benedita da Silva é deputada federal pelo PT-RJ e ex-governadora do Rio de Janeiro

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