Nenhuma testemunha ou réu do processo corroborou tese de Delcídio do Amaral que serviu para que ele deixasse a cadeia (Foto: Ricardo Stukert)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou à Justiça Federal de Brasília nesta terça-feira, no âmbito da ação penal que o acusa de tentativa de obstrução de Justiça. A acusação tem por base delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral, que afirmou que Lula estaria envolvido em uma tentativa de evitar que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró assinasse um acordo de delação com o Ministério Público Federal. Ocorre, porém, que todas as testemunhas e acusados já foram ouvidos, e nenhum deles corroborou a tese de Delcídio. O ex-senador está isolado em sua versão, que foi apresentada aos procuradores desacompanhada de qualquer prova.

Nesta terça, Lula disse: "O depoimento de Cerveró era um problema para Delcídio, não para mim. Só tem um brasileiro que podia ter medo de uma delação do Cerveró. Era o Delcídio. Ele sim era próximo dele. Eu nunca fui próximo do Cerveró". Os fatos acabaram por dar razão ao ex-presidente. Cerveró terminou por assinar um acordo de delação premiada com o MPF, e não citou Lula em nenhum momento. Já Delcídio foi, sim, citado.

Em seu depoimento que forma a delação premiada que assinou com os procuradores da Lava Jato - que lhe serviu para deixar a prisão em que se encontrava - Delcídio do Amaral afirmou que Lula teria pedido ao pecuarista José Carlos Bumlai que pedisse a ele, Delcídio, para convencer Cerveró a não assinar o acordo de delação. Na Justiça, porém, Bumlai negou peremptoriamente a história que garantiu a saída de Delcídio da cadeia: "Eu nunca tive interesse nenhum em retardar a delação do senhor Cerveró. O ex-presidente Lula jamais me pediu nada nesse sentido. Eu nunca tratei de nenhum tipo de negócio ou acordos com o Lula. Tenho com ele uma relação pessoal e de respeito profissional, e é só."

O próprio Nestor Cerveró também falou no processo, e igualmente desmentiu Delcídio do Amaral, que foi preso ao ser flagrado arquitetando um plano para tirar ilegalmente do país o ex-diretor da Petrobras. "Nunca foi mencionado nada do Lula comigo. Foi só Delcídio quem falou a respeito de delação, rota de fuga, Mas eu nunca quis fugir", disse o ex-executivo, cujo filho gravou as conversas entre eles - ocorridas em dezembro de 2015 - e denunciou Delcídio ao Ministério Público Federal, que obteve uma ordem de prisão contra o ex-senador.

Finalmente, muito embora tenha acusado Lula em sua delação premiada, no momento em que foi chamado ao processo judicial, o próprio Delcídio teve dificuldades em manter sua história. Ele admitiu que não partiu de Lula ordem para obstruir delação de Cerveró, e que jamais discutiu sobre dinheiro com o ex-presidente."

 

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