Luiz Inácio Lula da Silva: "Sou vítima de um massacre" (Foto: Ricardo Stukert)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depôs nesta terça-feira na Justiça Federal em Brasília, em processo em que é acusado pelo ex-senador Delcídio do Amaral de ter tentado comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, em conluio com o próprio Delcídio e com o pecuarista José Carlos Bumlai, no que seria uma “organização criminosa”.

Ele recuperou a sua história política no depoimento ao juiz Ricardo Leite, refutando as acusações que lhe imputou Delcídio e encampou o MInistério Público Federal. “Eu sou vítima de um massacre”, disse o ex-presidente, lembrando que dia após dia a imprensa diz que alguém irá delatá-lo, e que por muito tempo jornalistas fizeram plantão em frente de sua casa para esperar que ele fosse preso. 

Lula refutou a acusação de que o PT seria uma organização criminosa, e lembrou que o partido fortaleceu instituições como o Ministério Público e a Polícia Federal. Ele classificou como ilações e mentiras as acusações de Delcídio do Amaral. “O único cidadão que tinha preocupação com a delação do Cerveró era o Delcídio do Amaral.” 

O ex-presidente reafirmou também que não conhecia e não tinha motivo nenhum para temer o depoimento de Cerveró, como, aliás, ficou provado nos depoimentos do próprio ex-diretor da Petrobras na Lava Jato, quando ele afirmou que não conhecia Lula nem sabia de nenhuma vantagem indevida ao ex-presidente. “Eu não tenho razão para ter problema com o depoimento do Cerveró. Eu não conheço o Cerveró, não tive nenhuma conversa com ele”, explicou.

Para Lula, Delcídio deve ter citado seu nome para fechar um acordo de delação premiada. “Depois de alguns dias, as pessoas começam a buscar um jeito de sair na cadeia.” O ex-presidente comentou que Delcídio saiu de seu encontro com os procuradores, após fechar o acordo que lhe garantiu a soltura da cadeia,  “parecendo que tinha ganho o Prêmio Nobel da Delação.”

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