Foto: Ricardo Stuckert

Após 15 anos desde sua chegada à Presidência, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reencontrou na manhã desta quinta-feira (21) parte das memórias que se acumularam de 2003 a 2010. Lula removeu o lacre do depósito que abriga a maior parte do acervo presidencial, localizado em um galpão no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Os presentes estavam bloqueados por ordem do juiz Sérgio Moro desde março de 2016.

Acompanhado do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e de um escrevente do 4º Tabelião de Notas de São Bernardo do Campo, Lula vistoriou o galpão e abriu algumas das centenas de caixas acumuladas, que abrigam milhares de cartas, livros, faixas e souvenirs recebidos em viagens da presidência pelo Brasil e pelo mundo. "Se juntar todos os presentes recebidos por JK, Getúlio, Collor e FHC... Se juntar todo mundo, não vão superar o tanto de lembranças que recebi em oito anos", disse Lula, impressionado com o volume de caixas arquivadas no local.

Ao abrir as portas do depósito a primeira caixa que se tem em vista abriga uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Ela é cercada por dezenas de caixas com a identificação "textual", que descreve onde estão localizados arquivos de cartas endereçadas ao então presidente da República. São milhares. De pedidos e de gratidão. Um dos acompanhantes da visita, o ex-ministro de Direitos Humanos e conselheiro do Instituto Lula, Paulo Vannuchi, chama atenção para um detalhe compartilhado pelo responsável pelo acervo à época. A mudança no tom das cartas acompanhava o ritmo de desenvolvimento e inclusão social do governo. "Em 2009 as cartas param de ser sobre pedidos e passam a ser de agradecimento", conta.

O simbolismo do acervo evidencia o carinho pelo presidente, que deixou o Planalto com 80% de aprovação em 2010. Ao circular pelos corredores, Lula abriu algumas caixas escolhidas de forma aleatória, sempre surpreendido com alguma lembrança. De um quadro feito por artesãos haitianos e uma gamela presenteada por uma embaixatriz italiana, a uma prancha de surf e um uniforme autografado por trabalhadores de um estaleiro inaugurado pelo presidente. 

Em uma das caixas, entre fantasias típicas do Maracatu e tapetes bordados a mão, Lula se deparou ainda com uma camisa comemorativa do Corinthians, autografada pelo goleiro Tobias. A peça celebrava os 30 anos de 1977, quando o time rompeu um jejum de 23 anos sem conquistar um campeonato.

Lacre

Essa foi a primeira visita de Lula ao acervo, que abriga mais de nove mil itens. Parte deles estão armazenados em outro depósito, no Banco do Brasil. Os materiais, que foram lacrados pela Polícia Federal por ordem do juiz Sérgio Moro, foram liberados em novembro. 

Acervo

A catalogação do acervo presidencial foi realizada pelo Departamento de Documentação Histórica da Presidência da República (DDH). Pela legislação, todo acervo presidencial deve ser preservado pelos ex-presidentes e integram o patrimônio cultural brasileiro.

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