03 de março de 2022
Foto: Ricardo Stuckert


Em visita ao México, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido o fim das guerras e das desigualdades no Brasil, na América Latina e no mundo. Em discurso na Câmara dos Deputados na manhã de hoje, 3 de março, o ex-presidente destacou resultados da política de inclusão social de seu governo, que retirou 36 milhões de pessoas da extrema pobreza, ampliou e democratizou o acesso ao ensino superior. Lula celebrou o fato de o México estar sob governo progressista que também prioriza os mais pobres e disse que a luta pela desigualdade é um caminho sem volta.

“É com muita felicidade que vejo o México travar essa mesma guerra justa contra a desigualdade e a fome, e, em apenas quatro anos, conquistar importantes vitórias. A luta contra a desigualdade é um caminho sem volta, que, além do México, está sendo trilhado hoje também pela Argentina, o Peru, o Chile, a Bolívia e Honduras, com seus governos progressistas”, disse.

Lula lembrou do legado dos governos petistas no Brasil, que aumentaram o salário mínimo em 74% e geraram 20 milhões de emprego, além de elevar o Brasil à sexta economia mundial, pagar a dívida externa e ainda emprestar dinheiro para o Fundo Monetário Internacional.

De acordo com ele, por causa das conquistas sociais, a elite fez o golpe que levou ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff e abriu caminho para que a extrema direita chegasse ao poder e para que o Brasil hoje esteja destruído e vendo o aumento da pobreza e o retorno da fome.

“Assistimos hoje à volta de flagelos como desemprego, fome, destruição dos direitos trabalhistas, devastação do meio ambiente, desrespeito aos direitos humanos e às minorias, ataques à democracia e entrega de nossas riquezas aos estrangeiros – inclusive o Pré-Sal. As consequências da ascensão da extrema direita no Brasil são os cerca de 650 mil mortos pela covid, os 14 milhões de desempregados, e os 116 milhões de brasileiros que sofrem algum grau de insegurança alimentar, de moderada a muito grave. Pessoas que só conseguem comer uma vez por dia. E pessoas que simplesmente não têm o que comer”.


Celac
O ex-presidente defendeu que o Brasil volte a fazer parte da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). A retirada do Brasil da comunidade – fundada há 12 anos na cidade do México, mas que começou a ser gestada em 2008 no Brasil -, segundo Lula, é também resultado da política do atual governo, que vem destruindo as boas relações com a América Latina e o resto do mundo.

Lula destacou a importância da Celac para a integração e o desenvolvimento regional elogiou os esforços do presidente do México, López Obrador, para manter a comunidade forte e soberana, e disse que, em breve o Brasil fará parte novamente dela. “Podem estar certos de que muito em breve o Brasil estará de volta à Celac e ao convívio democrático e harmônico com a América Latina, o Caribe e o resto do mundo”.

Na comitiva da visita ao México, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, também discursou na Câmara dos Deputados e disse que o México ocupa hoje lugar especial na América Latina e no mundo porque o povo, seus representantes e o governo de López Obrador estão fazendo convergir experiências históricas com a energia da esperança que sempre mobilizou o pais.

“É com muita alegria que vemos o México trilhar esse caminho, da mesma forma que assistimos outros países da nossa região. Estamos trabalhando para que o Brasil também volte a trilhar o caminho da democracia, da paz e da justiça social. É a esperança que nos une: México, Brasil e América Latina”.