22 de julho de 2021

Durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, o Brasil esteve no centro do tabuleiro da política internacional. Pela primeira vez, o Brasil cumpriu seu papel de liderança mundial em assuntos políticos, econômicos, sociais e ambientais. Muito diferente do que acontece agora, com a política externa de subserviência e agressão praticada por Bolsonaro e seus asseclas.

Enquanto Bolsonaro não consegue estabelecer relações com a África – Angola rejeitou receber comitiva de parlamentares pró-Igreja Universal mesmo após lobby do vice-presidente Mourão, ao mesmo tempo em que a África do Sul mantém silêncio sobre indicação de Marcelo Crivella como embaixador -, Lula priorizou laços de cooperação internacional com o continente. O comércio do Brasil como os países africanos passou de US$ 6 bilhões, em 2003, a US$ 20,5 bilhões, o que fez do continente o nosso quarto maior parceiro comercial, atrás apenas de China, Estados Unidos e Argentina e à frente da Alemanha. Sob a batuta de Lula, o Brasil se tornou uma das vozes mais ativas no diálogo Sul-Sul, estreitando relações não apenas com a África, a América Latina e o Oriente Médio.

A diplomacia de Lula fortaleceu o Mercosul e o G-20, participou ativamente da criação do grupo dos Brics, ocupou papel de liderança no combate mundial à fome, costurou acordo nuclear envolvendo o Irã e o Conselho de Segurança da ONU e destacou-se na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O governo promoveu a integração sul-americana, a aproximação com a África e com países árabes. O foco era a auto-determinação dos povos e a importância da solidariedade regional para reforçar a democracia, pautada por uma visão de busca de interesses comuns.

Durante os governos de Lula e do PT, o Mercosul assumiu importância global, despontando como força regional no multilateralismo político. Foram criados diversos grupos temáticos sociais específicos, como aquele sobre necessidades alimentares e combate à fome. Entre 2003 e 2013, o fluxo de comércio do Brasil com o Mercosul cresceu de U$ 10 bilhões para U$ 50 bilhões. No mesmo período, o comércio com o conjunto de países da América Latina e do Caribe subiu de U$ 20 bilhões para U$ 94 bilhões.

O saldo da balança comercial com a União Europeia, por exemplo, saltou de US$ 810,5 milhões em 2000 para US$ 4,13 bilhões em 2010. O comércio bilateral do Brasil com os Estados Unidos também continuava a crescer. As vendas brasileiras para aquele país aumentaram 25%. Vale lembrar que de 2003 para 2013, Brasil subiu da 15ª para a 6ª economia do mundo (em 2020, ante as desastrosas gestões pós-golpe, o país ocupava a 12ª posição, com expectativa de cair para a 14ª neste ano).

Na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), em 2009, o Brasil apresentou a proposta voluntária mais ousada entre os países.: redução de 36,1% a 38,98% na emissão de gases do efeito estufa (principalmente os advindos do desmatamento da Amazônia) até 2020. Reafirmando sua liderança na questão climática, o Brasil visava induzir os países desenvolvidos não-signatários do protocolo de Kyoto a assumir a meta de 40% de redução da emissão de gás carbônico.

A proposta de criação de um Fundo Mundial de Combate à Fome, apresentada pelo governo brasileiro em 2004, ganhou visibilidade internacional com a adesão de presidentes de países como a França e o Chile e do próprio Kofi Anan, então secretário geral da ONU. Lula tornou-se um dos grandes defensores da pauta do combate à fome e à miséria nos foros internacionais. Foi assim no Fórum Econômico Mundial, no G20, nos Brics e nas diferentes instâncias da ONU.

Lula inseriu o Brasil de forma independente no cenário internacional, por meio de iniciativas concretas, buscando contribuir para a construção de um mundo pacífico e multipolar, menos sujeito a hegemonias e livre do flagelo da fome.

Nas palavras do ex-chanceler Celso Amorim: “Este papel foi reconhecido pelos mais importantes líderes do mundo na época, de George W. Bush e Barack Obama a Vladimir Putin, de Hu Jin Tao a Jacques Chirac, passando por Gordon Brown e Mamohan Singh. Todos estes — e muitos outros — fizeram de Brasília, se não um centro de peregrinação, uma parada obrigatória para a discussão de temas de interesse regional e global, tanto na política como na economia, no meio ambiento e no desenvolvimento social”.