22 de junho de 2022

“Apesar de ter dito que Fábio Luís Lula da Silva seria latifundiário e dono de cabeças de gado no Mato Grosso e no Pará, reconheço que essa informação chegou ao meu conhecimento a partir de meros boatos irresponsavelmente difundidos na sociedade.” Com essas palavras, o cantor Amado Batista restabeleceu a verdade e fez um bem a si próprio e à sociedade brasileira. O pedido de desculpas é fruto de um acordo judicial acertado esta semana no Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Amado Batista não é o primeiro artista a ter que se desculpar após espalhar fake news contra Lula e o PT. Neste caso, a origem do processo foi uma entrevista concedida a uma rádio, na qual o cantor mentiu que Lula e seus filhos praticaram roubo e que seu filho Lulinha seria latifundiário. Foi o empresário Fabio Luís Lula da Silva quem moveu a ação e o pedido de desculpas é parte do acordo que evitou a punição por injúria. Injúria é crime. Espalhar mentiras e informação falsa é crime.


Não é a primeira vez que algum artista é obrigado pela Justiça a se retratar por mentiras. No ano passado, após uma decisão da justiça, Regina Duarte teve que pedir desculpas a Lula por espalhar fake news sobre Marisa. Ela usou sua conta no Instagram para se reportar, dizendo: “Nunca foi minha intenção divulgar uma inverdade ou propagar fake news. Infelizmente, neste caso, fui induzida a erro e quero por isso estender, pelo sucedido, um sincero pedido de desculpas à memória de D. Marisa Letícia e a sua família”. A atriz teve de fazer a retratação pública por ter divulgado a informação falsa de que existiria uma conta com R$ 256 milhões no nome da ex-primeira dama. Na verdade, o valor era de R$ 26.281,74 mas, àquela altura, a fake news já estava correndo.

Leda Nagle é outra que também precisou se retratar à força da lei. Também no ano passado a apresentadora de TV precisou usar o seu Instagram para pedir desculpas por ter reproduzido em uma transmissão ao vivo em seu canal uma postagem feita por uma conta falsa que, criminosamente, “revelava” a existência de um plano de Lula para matar Bolsonaro. Em sua fala, ela alegou ter sido induzida a erro e concluiu: “Lamento o ocorrido. Agora que vocês já conhecem o que aconteceu, peço desculpas”.

O episódio de Amado Batista é importante para mostrar aos seus fãs que discordar politicamente de alguém não dá direito de usar a sua influência com os fãs para espalhar mentiras e fake news. É pena que a retratação, na imensa maioria dos casos, venha somente com um “empurrãozinho” da Justiça, em meio a processos ou acordos judiciais.

Melhor exemplo, se é para falarmos de bolsonaristas e ex-bolsonaristas, nos deu o ex-ator e hoje político Alexandre Frota. Em dezembro de 2020, após o arquivamento de mais um processo contra Lula por falta de provas (aliás, relembre aqui todas as vitórias judiciais que mostram a inocência do ex-presidente), por iniciativa própria Frota publicou em sua conta no Twitter a mensagem: “Gostem ou não, acho que devemos algumas desculpas ao Lula. Olhando de 2014 para 2020 e como tudo aconteceu, e o que estamos vivendo com Bolsonaro, a justiça está reparando erros”.