15 de outubro de 2018

Em entrevista publicada pelo jornal Estadão nesta segunda-feira (15/10), o general Aléssio Ribeiro Souto, guru de Bolsonaro na área da educação,  apresentou algumas de suas propostas para a educação brasileira. Dentre as mais assombrosas estão o corte de recursos para o Ensino Superior em 50%, o fim das cotas raciais e sociais, o controle ideológico dos professores sobre temas como o Golpe Militar de 1964 e a polêmica em torno da Teoria da Evolução.

O general defende cortar pela metade os recursos para o Ensino Superior. “Em qualquer país razoável, 30% ou 40% dos recursos são destinados ao Ensino Superior. Este ano, aqui, a matriz deve ter chegado a 70% dos recursos para o Ensino Superior. Precisamos alterar, mas não se faz facilmente, porque teria de mandar metade das pessoas embora, professores e funcionários”.

Para Bolsonaro, a solução para quase tudo é a violência. Como solução para a violência nas escolas, o encarceramento de jovens e a mudança do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo afirma o general na entrevista, as crianças ficariam presas “no pavilhão dos menores bandidos, precisa ter tratamento do psicólogo, educador etc. Agora, nesse sentido, o ECA tem de ser mudado. Se ele permite que bandidos sejam protegidos, discordo. Assim que eu vejo”.

O consultor de economia de Bolsonaro é contra a lei de cotas sociais e raciais. Ele nega o racismo e propõe o ensino complementar aos beneficiários das cotas, sem dizer, é claro, como isso aconteceria sem aumentar o orçamento da pasta. “Pobre, branco, de olhos azuis, não tem direito? Existem no Nordeste e no Rio Grande do Sul. No meu dicionário não pode ter cor para o ser humano”.

Sobre o Prouni e o Fies, programas de financiamento e bolsa estudantil criados por Haddad, que deram a mais de 3 milhões de jovens pobres a oportunidade de acessar o Ensino Superior, o general afirma que não devem acabar, mas que nem todos os pobres devem ter a mesma oportunidade. “O país nunca vai transformar os pobres em ricos. Não é todo mundo que chegará lá, mas os mais talentosos entre os pobres precisam ter acesso ao nível superior”, disse o general.

Aléssio já se manifestou a favor de retirar das escolas livros que não contassem “a verdade” sobre o Golpe Militar de 1964 que o general trata por “regime”. Perguntado se os livros de história não refletem a verdade ao tratar 1964 como golpe militar, o general alega que não entra na questão se foi golpe ou não, “porque é algo menor”. “A questão da palavra golpe me parece menor. Agora, sonegar para crianças de 10, 12, 16 anos, o que ocorreu? Não concordo”.

Assustadoramente, o general faz uma comparação com número de mortos para justificar que é preciso apresentar “os dois lados”. “No período de 1945, cerca de quatrocentos e poucos brasileiros morreram para derrotar o nazismo. Em 1964, houve 450 mortes dentre aqueles que queriam implantar a ditadura do proletariado, mas houve 117 mortes daqueles que não queriam. Quando você trata dos problemas e das mortes, e guerra traz mortes, tem de tratar dos dois lados”. O general e eventual ministro da Educação de Bolsonaro ataca a história sobre a qual foram construídas as bases do pacto democrático brasileiro, ao minimizar os assassinatos e desaparecimentos não esclarecidos de milhares de pessoas ao longo dos 21 anos em que o Brasil viveu sob um regime militar.

O general também disse que a Teoria da Evolução de Darwin está relacionada à orientação ideológica. Em suas palavras, “muito da escola na atualidade está voltada para a orientação ideológica, tenta convencer de aspectos políticos e até religiosos. Houve Darwin? Houve, temos de conhecê-lo. Não é para concordar, tem de saber que existiu”.