01 de junho de 2022

Jair Bolsonaro e sua milícia digital orquestram rede de mentiras para esconder venda de refinaria brasileira a valor 55% mais barato do que o preço do mercado. A venda foi anunciada no dia 25 de maio. Dois dias antes, Bolsonaro postou em suas redes sociais fake news querendo, mais uma vez, culpar Lula pelo desastre da gestão bolsonarista na Petrobras e pelos preços absurdos de gás e combustíveis no Brasil de 2022 (ou seja, 12 anos depois de Lula deixar o poder como o presidente mais bem avaliado da história). Esta é uma tática que vem sendo bastante utilizada pela rede de fake news bolsonaristas: espalhar mentiras que tentam preparar o terreno antes de mais uma ação desastrosa do governo, na tentativa de blindar Jair Bolsonaro.

Bolsonaro e as refinarias

O que Bolsonaro e sua turma fazem, na verdade, é criar mais uma cortina de fumaça para esconder que o governo dele vendeu refinarias da Petrobras a preço de banana, um dos motivos pelos quais o brasileiro sofre, hoje, com os altos preços da gasolina. Além disso, essa tática é parte da tentativa de privatizar a estatal.

O preço negociado pela venda da Refinaria de Lubnor à Grepar Participações representa apenas 55% do valor em comparação aos cálculos estimados em estudo realizado pelo Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

A refinaria, que fica no Ceará, está avaliada em pelo menos US$ 62 milhões; o valor negociado foi de US$ 34 milhões. Isso sim prejudica a Petrobras e todo o povo brasileiro.

O gás boliviano e a Argentina

Após a Petrobras anunciar uma redução de 30% no recebimento de gás natural vindo da Bolívia, as redes de mentiras bolsonaristas passaram a veicular a fake news afirmando que se trata de um plano, orquestrado por Lula, para minar a reeleição de Bolsonaro, além de reafirmarem, que Lula teria doado uma das refinarias da empresa para o país.

A mentira foi divulgada, inclusive, na rede de televisão Jovem Pan, conhecida pelo alinhamento ideológico com Bolsonaro e pelo descaso absoluto para com a verdade. A especulação foi repetida pelo presidente e postada em suas redes sociais.

Segundo especialistas, a redução no envio de gás da Bolívia para o Brasil nos meses de mais frio vem sendo comum nos últimos 15 anos. Na opinião de Nelson Gomes, presidente da Compass: “olhando para trás, para dez a quinze anos atrás, vemos que nos períodos mais frios, existe uma mudança no fluxo do gás boliviano em direção à Argentina”. O movimento, portanto, não é novidade. “Olhando para a Petrobras como supridor [da Comgás], nunca tivemos problemas de suprimento. Não acho que devemos nos preocupar. A Petrobras tem diversas fontes”, complementou o executivo.

O ministro de Hidrocarbonetos e Energia da Bolívia, Franklin Molina, desmente a versão conspiratória e explica que a decisão se dá com base em competitividade de mercado e da impossibilidade de atender às demandas de Brasil e Argentina.

 A estatal boliviana YPFB alega que vai cumprir a cláusula de deliver-or-pay, que trata de multa a ser aplicada pelo fornecedor quando este não entrega o volume previamente solicitado pelo comprador, presente no contrato; e que pretende renegociar os termos do contrato com o Brasil.

É mentira que Lula deu refinarias de gás à Bolívia

Fake news, divulgadas inclusive pela Jovem Pan, afirmam que Lula teria “confessado em vídeo” que deu refinarias para a Bolívia. É uma mentira deslavada, como já comprovaram diversas agências de checagens de fatos como a Aos Fatos (em abril deste ano), o Yahoo (em maio desse ano) e o Estadão Verifica (em outubro de 2020). Durante o governo de Lula, o Brasil vendeu duas refinarias para a Bolívia.

Durante os governos de Lula e Dilma, o Brasil também projetou e começou a construir 5 novas refinarias: duas ficaram prontas e uma estava 85% concluída. Depois do golpe, as obras foram paralisadas e o desmonte da Petrobras e da capacidade de refino de petróleo do Brasil se deu a todo vapor.

O único interesse de Bolsonaro é destruir e vender: a Lubnor é a quarta refinaria negociada pela Petrobras, dentro do pacote de oito ativos colocados à venda pela estatal.