20 de outubro de 2021

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (20), em entrevista para rádio A Tarde, da Bahia, que Bolsonaro nega seu próprio discurso de 2018, quando criticava a chamada “velha política”. À época, o atual presidente acusava a velha política, dizia que não iria se subordinar a partido político e que não iria fazer negociações com deputados.

“Ele era um velho falando mal da velha política e dizendo que iria construir a nova política. O que está acontecendo no Brasil hoje?”, questionou Lula, criticando o orçamento secreto do relator, uma novidade no Brasil. “Nunca existiu na história do Brasil o orçamento do relator, um orçamento que envolve R$ 20 bilhões, tem mais um orçamento secreto na mão do presidente do Senado, tem mais um na mão do presidente da Câmara. Para fazer o que? Para dar emendas para deputados na perspectiva de ganhar votos. Essa é nova política? Eles estão praticando a mais horrenda velha política da história desse país com a maior desfaçatez”, afirmou.

O ex-presidente disse que, para governar um país com 215 milhões de habitantes e 513 deputados, é preciso conversar, fazer acordos com os vencedores da eleição. “É assim que você governa esse país, pode fazer acordos pontuais e acordos programáticos para governar o país. Será assim, enquanto existir democracia”, disse. Questionado sobre uma possível ida do Bolsonaro (sem partido) para o PP (Partido Progressista), Lula disse que Bolsonaro não é homem de partido político e o que ele quer é uma legenda de aluguel para se filiar e disputar a eleição. “Se dependesse dele, se dependesse da ignorância e da truculência política dele, ele seria candidato avulso, porque ele gosta de dizer:  ‘eu não dependo de ninguém, eu não converso com ninguém, eu não gosto de partido político, eu não gosto da Suprema Corte, eu não gosto do Senado, eu não gosto da Câmara, eu não gosto de sindicato, eu não gosto de negro, eu não gosto de quilombola, eu não gosto de LGBT, eu não gosto de jornalista’, é só isso que ele sabe fazer”.

Assista a entrevista na íntegra: