20 de maio de 2022

Divulgada nesta sexta-feira, 20, pesquisa Ipespe contratada pela XP Investimentos revela que a privatização da Petrobras, planejada pelo desgoverno Bolsonaro, não é bem-vinda para a maior parte da população brasileira.

Num universo de 1000 entrevistados em todo o país, 49% se mostraram contrários à ideia de vender a estatal, que assim como a Eletrobras – cuja privatização foi aprovada na quarta-feira pelo TCU – tem papel estratégico para o desenvolvimento e a soberania do Brasil.

Do conjunto de entrevistados, 38% opinaram favoravelmente à venda e os 13% restantes não souberam ou não quiseram se posicionar. A maioria das pessoas ouvidas – 64% – acredita que a companhia tem muita responsabilidade pelas altas recentes dos combustíveis. Para 45%, o presidente Jair Bolsonaro tem muita responsabilidade na escalada dos preços.

A pesquisa checou como os entrevistados se posicionariam sobre a privatização, caso ela resultasse em redução de preços. Nessa hipótese, que não corresponde à realidade, 67% se disseram favoráveis.

A Petrobras é por si só um exemplo de que a transferência para a iniciativa privada não resulta em preços menores. Foi esse o argumento da estatal para abrir mão da distribuição, quando decidiu vender a BR Distribuidora. A privatização atrairia novas empresas que atuariam em competição, pressionando os preços para baixo.

Combustíveis dolarizados

A realidade é que hoje o Brasil tem 392 empresas importando gasolina, os combustíveis estão dolarizados, reajustados pelo chamado PPI, Preço de Paridade de Importação, que significa dizer que sempre que há variação do petróleo no mercado internacional, os preços podem ser reajustados internamente. É o que está acontecendo atualmente. Um reajuste atrás do outro, pressionando a inflação e tornando a vida no Brasil muito mais difícil.

A questão dos combustíveis é uma grande preocupação do ex-presidente Lula. Em diferentes entrevistas, ele tem denunciado o desmonte da Petrobras, se posicionado contrário à ideia do atual governo de privatizar a estatal e defendido que os preços sejam abrasileirados. De acordo com ele, não existe nenhuma razão técnica nem político-econômica para que a Petrobras tenha tomado a decisão de internacionalizar os preços, a não ser atender aos interesses dos acionistas minoritários.

“O Brasil hoje não consegue refinar toda a gasolina que nós precisamos, porque o governo parou as refinarias. Esse país destruiu a BR e, por conta disso, tem 392 empresas importando gasolina dos Estados Unidos, da América do Norte, importando em dólar, e precificando em dólar. O Brasil, que é autossuficiente em petróleo, não tem que exportar óleo cru para comprar derivados. O Brasil precisaria refinar o seu petróleo, exportar o excedente e a gente não ter que pagar o preço em dólar. A gente teria que estar pagando o preço em real”, afirmou recentemente, acrescentando também ser preciso um governo que tenha competência para decidir a política correta para que o brasileiro não seja vítima dos preços. 

“Quem mais sofre mais são as pessoas pobres, as pessoas que não têm carro, as pessoas que não têm caminhão, que são vítimas do preço quando vão na bodega comprar o leite, comprar um feijão, comprar uma farinha. Essas pessoas têm que pagar a inflação causada pelo aumento do preço”.