27 de janeiro de 2022

O sonho de ter e manter um carro próprio no Brasil está cada vez mais distante. O preço dos veículos novos e usados disparou no Brasil e não dá sinais de que vai cair. Um dos campeões de vendas era o Gol, o carro popular da Volkswagen. Somente em março de 2010, foram vendidos 30 mil. Hoje, o modelo pode custar de R$ 70 mil a R$ 90 mil nas concessionárias do país.O carro “popular” (entre muitas aspas) mais barato vendido no Brasil em janeiro de 2022 é o Kwid, da Renault, que custa a bagatela de R$ 59.890. O valor corresponde a quase 50 salários mínimos. De popular, nem carros nem o governo Bolsonaro têm nada.

A situação é muito diferente daquela vivida pelos brasileiros durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT. A valorização dos salários e a diminuição do preço dos carros populares fizeram com que o preço do carro mais barato do mercado, que correspondia a 92 salários mínimos em 2000, chegasse a valer o equivalente a 30 salários mínimos em 2015. Com Bolsonaro, o contrário aconteceu: carros mais caros, inflação nas alturas e salários sem nenhum aumento real elevaram o custo do carro mais barato de 30 salários mínimos, em 2019, para 50 salários mínimos, em 2022.

Colocar o pobre no centro do orçamento e manter a economia aquecida foram alguns dos pilares dos governos de Lula. Com a estabilização da economia, a inflação baixa, o incentivo às montadoras e estímulo ao crédito somente no primeiro mandato foram 6,6 milhões de veículos vendidos. O sonho do carro próprio, que se tornou realidade para muitas famílias brasileiras durante os governos petistas, está mais distante do que nunca.

O preço médio dos veículos mais baratos 0 KM, em 2022, é de R$ 66.370. Em 2010, esse valor era menos da metade, R$ 25.518.

Fatores como a alta do dólar, a inflação nas alturas e os índices econômicos nacionais (obrigado, Bolsonaro e Paulo Guedes) explicam boa parte do que acontece com o preço dos automóveis no Brasil em 2022. Outro fator é a pandemia, que causou crise dos semicondutores e falta de insumos para as montadoras.


Esse aumento absurdo no preço dos carros, sobretudo os 0km, fez a expressão “carro popular” perder sentido. Com o desemprego, a economia em ruínas, a inflação nas alturas e o salário que não acompanha o preço de itens básicos, comprar um carro hoje está muito além do poder aquisitivo da maioria dos brasileiros.

O preço médio dos veículos recém saídos da concessionária ficou próximo de R$ 60 mil, em 2021. Em 2010, esse valor era menos da metade, R$ 25.518. E as notícias também não são boas para quem deseja adquirir um carro usado: os preços devem continuar elevador por causa da crise. Até agosto do ano passado, a variação do preço dos automóveis em 12 meses foi de quase 10% para modelos novos e 12,48% para carros usados, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação no Brasil.

Vale lembrar também que a gasolina ficou quase 45% mais cara só em 2021, e já passou por novo reajuste em 2022. Os constantes aumentos de preço são resultado da política de dolarização adotada pela Petrobras para beneficiar acionistas estrangeiros em detrimento do povo brasileiro. Pode colocar mais essa na conta do governo Bolsonaro.

Esse mercado vem encolhendo no Brasil de Bolsonaro, assim como economia brasileira. Hoje, para cada carro novo, são vendidos seis velhos. É claro que a pandemia tem uma parcela de culpa nessa equação, mas não é segredo para ninguém que o Brasil poderia se recuperar de forma muito melhor da crise não fosse o temperamento de Bolsonaro e a inabilidade de Paulo Guedes em conduzir a economia do País. Enquanto isso, o brasileiro paga o pato e a solução é “andar de carro velho, amor”, como diz a canção.