27 de julho de 2021

Desde sábado (24), a plataforma Lattes está inacessível. Estão fora do ar diversas plataformas de dados acadêmicos vinculadas ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Científico (Cnpq), um dos principais órgãos de pesquisa do país. A informação oficial é de que o servidor do Cnpq queimou e não há prazo para normalização. O descaso do governo Bolsonaro pela ciência não é novidade.

Declarações de afronte direto à ciência e corte de bolsas e fomentos são apenas alguns exemplos do apagão promovido por Bolsonaro. A era pós golpe de 2016 está marcada pela perda imensurável de acervos acadêmicos e científicos: foi assim com o incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro, em 2018, com o desmantelamento da Cinemateca e de seu acervo, em 2020, e agora com a queima do servidor do Cnpq sem perspectiva de retorno.

Declarações iniciais do órgão afirmavam que não havia backup do servidor avariado, o que acarretaria em perda completa de milhares de dados acadêmicos. As instâncias afetadas incluem a plataforma Lattes – em que ficam hospedados informações e trabalhos desenvolvidos por todos os pesquisadores do país -, os servidores de emails, o e-fomento (programa de gerenciamento de bolsas de estudo e pesquisa) e a plataforma Carlos Chagas.

Na tarde desta terça (27), o Cnpq afirmou que há backup da placa e possibilidade de recuperação de dados, apesar de não ter fornecido qualquer prazo para restabelecimento. O órgão disse ainda os prazos acadêmicos estão suspensos e que o pagamento das bolsas não será afetado.

Vale lembrar que o Cnpq conseguiu pagar apenas 13% das bolsas aprovadas para cientistas em 2021. O corte é reflexo da queda de 29% no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).