24 de novembro de 2021

Neste mês de novembro, Bolsonaro acabou de vez com o Bolsa Família, maior programa de transferência de renda do mundo, implementado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva há 18 anos, e começou a pagar a primeira parcela do programa Auxílio Brasil. O governo disse que o programa substituiria o Bolsa Família, mas essa informação não é verdadeira, já que existe um limbo entre o auxílio emergencial, o Bolsa Família e o novo programa de Bolsonaro que não foi considerado pelo governo, deixando mais de 29 milhões de famílias desamparadas.

É isso que explica a ex-ministra Tereza Campello, que comandou o Ministério do Desenvolvimento Social no governo da presidenta Dilma Rousseff. Campello tem se dedicado a denunciar a exclusão social em massa promovida pelo governo Bolsonaro.


Em vídeo gravado pela TvPT (veja abaixo), Tereza mostra que a partir deste mês, passou a existir apenas o Auxílio Brasil, que atende 14,5 milhões de famílias. Porém, até outubro passado, eram 43,9 milhões de famílias com algum tipo de ajuda contra a fome – 39,3 milhões que recebiam o auxílio emergencial (sendo que, dessas, 10 milhões eram oriundas do Bolsa Família) mais 4,6 milhões que haviam permanecido apenas no Bolsa Família.

A conta é simples. Basta subtrair o total de beneficiários até outubro (43,9 milhões) do total de beneficiários do Auxílio Brasil em novembro (14,5 milhões) para se chegar ao total de 29,4 milhões de famílias abandonadas.

PT identificou onde está a maioria dessas famílias

A partir de dados do próprio governo federal, a assessoria técnica do Partido dos Trabalhadores conseguiu identificar onde vive a maior parte desses excluídos por Bolsonaro. Cruzando os dados do total de benefícios pagos pelo auxílio emergencial em outubro e pelo Auxílio Brasil em novembro, mostramos em que cidade do país vivem 24,8 milhões dessas famílias (acesse aqui as tabelas).

O Mapa da Exclusão completo (incluindo as 4,6 milhões de famílias que continuaram recebendo o Bolsa Família durante a vigência do Auxílio Emergencial) será concluído quando o PT tiver acesso a todos os dados, o que já foi solicitado pela presidenta nacional do partido, deputada federal Gleisi Hoffmann.

Cortes sem estudo prévio

Tereza Campello denuncia que o governo eliminou o benefício desses milhões de brasileiros sem dar nenhum tipo de orientação, o que gerou filas de pessoas nas agências bancárias de várias cidades. “São mais de 29 milhões de famílias que foram completamente excluídas, sem nenhuma informação, sem nenhuma orientação e sem que ninguém tivesse tentado saber se essas famílias continuam precisando. Como se a pandemia tivesse terminado, como se a economia estivesse bem e como se essas famílias tivessem voltado à sua vida normal. E a gente sabe que não foi isso que aconteceu”, afirma.

A ex-ministra ressalta ainda que o governo Bolsonaro não fez nenhum levantamento da situação das famílias excluídas. “Não tentou sequer saber se essas famílias tinham encontrado emprego, se essas famílias continuavam na informalidade, se essas famílias tinham o que comer em novembro, dezembro, janeiro… Essas famílias foram simplesmente excluídas”, denuncia.

E pior: o critério de exclusão foi uma espécie de pegadinha perversa, pois as famílias abandonadas foram aquelas que haviam se inscrito no aplicativo do auxílio emergencial. Ao criar o Auxílio Brasil, o governo Bolsonaro só manteve aquelas famílias que estavam no Cadastro Único, eliminando automaticamente os inscritos no auxílio emergencial.