12 de maio de 2022

Dados do Sisu mostram uma redução de 60% nas inscrições, desde 2015, num movimento oposto ao que ocorreu a partir de 2010, quando o Sistema de Seleção Unificada foi criado pelo Ministério da Educação, no governo Lula, para direcionar estudantes a instituições públicas de ensino superior, a partir das notas do Enem.

O número de inscrições – cada estudante pode fazer duas – saltou de quase 2,9 milhões, em 2011, para mais de 7,7 milhões, em 2015. A partir de então, houve uma queda sistemática e o número de inscrições em 2021 foi próximo ao do início do programa, com pouco mais de 3 milhões.

O mesmo acontece no Enem. Em 2021, o Exame Nacional do Ensino Médio teve pouco mais de quatro milhões de inscritos, o menor número desde 2009, quando adotou o formato atual, funcionando como uma espécie de vestibular unificado. Na comparação com 2015, quando o número de inscritos chegou a quase 7,8 milhões, a redução foi de 48%.

Uma das explicações possíveis é que, em vez de se dedicar à escola, muitos jovens precisam ajudar no orçamento familiar, abalado por uma política que não prioriza o emprego e a manutenção do poder de compra do trabalhador, com inflação alta e reajustes salariais que não recompõem as perdas. O trabalhador brasileiro fica a cada dia mais pobre e a juventude sem esperança.

A questão da educação, assim como a do emprego e renda, é tema recorrente do ex-presidente Lula. Em suas manifestações públicas sobre o tema ensino superior, o ex-presidente defende o investimento em educação de qualidade da creche à universidade e a garantia de acesso a todos e fala em recompor o orçamento das universidades e investimento em ciência e tecnologia.

“Fazer o que nós fizemos, fazer o orçamento ser responsável para dar garantia aos professores, aos especialistas, aos pesquisadores, a capacidade das universidades funcionarem na sua plenitude. Universidade sem dinheiro, sem laboratório, sem capacidade de pesquisa, não vale muita coisa. Então, o que nós vamos fazer é recompor orçamento dessas universidades, fazer mais investimento em ciência e tecnologia, fazer mais investimento nas escolas técnicas, para que a gente possa ter uma parcela da sociedade altamente qualificada”, declarou em entrevista recente.

Em visita a Minas nesta semana, Lula se encontrou com reitores de universidades públicas, ouviu deles relatos sobre a destruição da educação e defendeu os investimentos federais na educação, como ocorreu nos tempos em que ele esteve na Presidência, entre 2003 e 2010.