17 de setembro de 2018

Confira trecho da entrevista do ex-primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero ao Blog Tutaméia:

BRASIL E MÉXICO PODEM FORMAR NOVO EIXO DE ESQUERDAS

Ele destaca a importância da vitória da esquerda no México, com López Obrador. “Se o Brasil, depois do México, vai para a esquerda, vai mudar tudo. Não só na região. Porque haverá dois grandes países juntos, que são quase o dobro da Rússia em habitantes. Se esses dois grandes países têm presidentes com força política, isso vai mudar tudo”.

E acrescenta o fato de a Espanha e Portugal terem governo de esquerdas. “Com forças progressistas, Europa e América Latina devem fazer um novo eixo, com os governos de esquerdas, para que o quadro universal mude”.

BRASIL ESTÁ NUM PARÊNTESIS POLÍTICO

Zapatero esteve em São Paulo para participar do seminário internacional “Ameaças à democracia e a ordem multipolar”, promovido pela Fundação Perseu Abramo. Na sua visão, “o Brasil está numa espécie de parêntesis político. Parêntesis que se arrasta desde um surpreendente impeachment. E pelo também surpreendente encarceramento de Lula”.

Ao TUTAMÉIA, o ex-primeiro-ministro espanhol relata que conviveu com Lula no cenário internacional durante quase oito anos e destaca três pontos nas ações do ex-presidente brasileiro:
“1. Lula promoveu uma mudança na comunidade internacional na luta contra a pobreza e a miséria. 2. Ele acelerou a sensibilidade sobre as mudanças climáticas. 3. Lula é a alma dos Brics, um novo ator num mundo multilateral ainda por construir”.

Para Zapatero, com Lula, “o Brasil chegou à plenitude como um grande ator internacional. Esperamos que as eleições sejam o fim do parêntesis e o reencontro do Brasil com a comunidade internacional. Confio no ato de inteligência política, de atitude democrática de Lula e do PT para abrir espaço para o novo candidato [Fernando Haddad], para o fortalecimento da democracia”.

Ele afirma que “o impeachment surpreendeu ao mundo democrático, gerou uma perplexidade porque os motivos que se puseram em cima da mesa não respondem às regras dos países que conhecemos como comunidade democrática”. Acrescenta que o país ficou mais débil ao ser governado por um presidente não eleito.

“Por isso a minha ideia de que o Brasil está num parêntesis na comunidade internacional. A comunidade internacional está esperando de novo o Brasil, que é um país fundamental, o mais importante da ibero-américa. É o pais de referência dos emergentes não asiáticos. Tem uma capacidade de ser triangulo, vértice de um diálogo entre ocidente e oriente”.