10 de julho de 2014

Ao contrário do que muitos brasileiros pensam, a vida da população africana não é marcada apenas pela fome, por ditaduras sangrentas e conflitos étnicos. Neste século 21, no continente onde vivem mais de 1 bilhão de habitantes, a democracia e a distribuição de renda também fazem cada vez mais parte da realidade. E algumas das mudanças sociais na África nos últimos anos têm como referências os programas sociais e as políticas publicas praticadas no Brasil. São muitos os governos africanos que enviam delegações para visitar nosso país, interessados em conhecer nossas alternativas para combinar desenvolvimento econômico com distribuição de renda e pleno funcionamento das instituições democráticas.

A luta pela construção da democracia nos países africanos é o tema do comentário de Celso Marcondes, diretor do Instituto Lula, no programa diário “Seu Jornal”, da TV dos Trabalhadores, a TVT:

“Enganam-se redondamente aqueles que acham que a África tem como base governos ditatoriais e guerras civis. É certo que todos nós ficamos horrorizados com os atentados que os terroristas radicais islâmicos têm realizado no no Norte da Nigéria. Agora mesmo aconteceram dois atentados que tiraram a vida de dezenas de pessoas que assistiam jogos em praças públicas. Um deles durante o jogo do Brasil contra o México. Um horror praticado por um grupo que chega ao absurdo de condenar a educação ocidental, sua música e o futebol. Também ficamos muito consternados ao receber notícias das guerras civis que acontecem hoje na República Centro-africana e no Sudão do Sul, desabrigando mais de dois milhões de pessoas.

Mas o que eu queria ressaltar aqui é que esses casos são a exceção num continente de 55 países. Afetam alguns milhões de habitantes, num continente de um bilhão de pessoas. Pois já faz alguns anos que a maioria dos países africanos caminha pra consolidar suas democracias, com voto secreto e direto, campanhas eleitorais de rua, partidos políticos legalizados e liberdade de imprensa. Só neste ano, 12 países realizam eleições presidenciais. É certo que existem países que precisam se abrir e acabar com as heranças ditatoriais do passado, mas hoje já são muitos os países que vão consolidando a cada dia sua estrutura democrática: Cabo Verde, Namíbia, Botsuana, Gana, Tanzânia, Quênia, África do Sul… só para citar alguns.

A verdade é que nossos vizinhos africanos se deram conta que o caminho da democracia é indispensável para construir o desenvolvimento econômico e melhorar as condições de vida da maioria da população. E o que tem me deixado muito feliz nesse trabalho que temos realizado no Instituto Lula é constatar que o Brasil é hoje uma referência importante para os movimentos sociais e os governos africanos. Eles se miram muito em nosso exemplo. Na nossa capacidade de avançar com democracia, paz e inclusão social. Isso deve ser motivo de orgulho para todos os brasileiros.”