13 de agosto de 2018

Em entrevista coletiva para a imprensa estrangeira, na manhã desta segunda-feira (13/08), a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, apresentou as fundamentações jurídicas e políticas para o registro da candidatura de Lula à Presidência da República, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será registrado nesta quarta-feira (15), num grande ato em Brasília. “Não é justificável deixar Lula fora do processo eleitoral. É uma agressão ao país”, afirmou Gleisi.

A presidenta do PT lembrou que Lula não está com seus diretos políticos suspensos e que, por isso, o registro da sua candidatura é legal. Gleisi Hoffmann destacou ainda que a Constituição Federal assegura que candidaturas sub judice tenham os mesmos direitos que quaisquer outras, como já mostrou decisões anteriores do TSE. Com relação à jurisprudência, a senadora apontou que “os julgadores do TSE são historicamente a favor da candidatura porque entendem que o povo é quem tem que decidir”.

Segundo Gleisi, para o Brasil seguir em frente com a sua democracia, a institucionalidade brasileira tem que cumprir o devido processo legal e soltar Lula. “Nós não vemos uma situação de estabilidade política no Brasil, se Lula continuar preso e se não participar do processo eleitoral”, declarou a presidenta do PT, alertando que o Brasil não está vivendo um processo de normalidade democrática. A senadora frisou o caráter abertamente político da prisão ilegal do ex-presidente.

Já o coordenador nacional do Movimento Sem Terra (MST) e da Frente Brasil Popular, João Paulo Rodrigues, apresentou a estratégia de mobilização popular da campanha Lula Livre. Ele destacou a Marcha Nacional para Brasília, que acompanhará o registro da candidatura de Lula no TSE. A marcha, que teve início na última sexta-feira, conta com mais de 5 mil participantes de todas as regiões do país e tem como objetivo defender a libertação do ex-presidente e o seu direito de participar do processo eleitoral. “Nós seguiremos mobilizados até a liberdade do presidente Lula”, declarou João Paulo.

PT denuncia abuso de poder
Durante a entrevista, a presidenta do PT reiterou o absurdo contido nas alegações do diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, em entrevista publicada nesse domingo (12) no jornal O Estado de S. Paulo. Em suas declarações, o delegado revela como forças judiciais atuaram politicamente por meios administrativos para impedir o cumprimento de habeas corpus em favor de Lula no dia 08 de julho. “De violência em violência, está se inviabilizando a democracia no Brasil”, comentou Gleisi.

Repúdio internacional
O repúdio internacional crescente à prisão política de Lula também foi tópico da entrevista desta segunda-feira. A senadora Gleisi relembrou que há numerosos e renomados juristas e líderes internacionais que criticam a prisão do ex-presidente, apontando falta de base jurídica e sua consequente ilegalidade.