23 de outubro de 2018

Continua repercutindo muito mal entre os ministros do Supremo Tribunal Federal as declarações de Eduardo Bolsonaro, em que fala que o STF poderia ser fechado caso houvesse alguma tentativa de impugnação da candidatura do pai dele, o candidato à presidência da República Jair Bolsonaro. Nesse vídeo, gravado quatro meses atrás, Eduardo Bolsonaro fala que, para fechar o STF, basta “um soldado e um cabo”.

O ministro do STF Alexandre de Moraes, que vai pedir abertura de inquérito à Procuradoria-Geral da República para investigar as declarações: “Isso é crime tipificado na Lei de Segurança Nacional. Artigo 23, Inciso terceiro. Incitar animosidade entre Forças Armadas e instituições civis”.

Para Moraes, “é algo inacreditável que no Brasil, século XXI, a Constituição com 30 anos, ainda tenhamos que ouvir tanta asneira vinda da boca de quem representa o povo e que confirma uma das frases mais importantes de um dos grandes democratas, um dos pais fundadores dos Estados Unidos, Thomas Jefferson, que disse: ‘o preço da liberdade é a eterna vigilância'”, afirmou.

O presidente do Supremo, Dias Toffoli, também se manifestou e disse que “atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”.

“O Supremo Tribunal Federal é uma instituição centenária e essencial ao Estado democrático de direito. Não há democracia sem um Poder Judiciário independente e autônomo. O país conta com instituições sólidas e todas as autoridades devem respeitar a Constituição. Atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”, afirmou Toffoli.

Os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello também se manifestaram contra a fala de Eduardo Bolsonaro.