23 de junho de 2022
Foto: Reprodução Youtube

Em entrevista ao vivo à Rádio Difusora, de Manaus (AM), na manhã de hoje (23), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o governo cuide do território amazônico e dos povos originários e afirmou que impedir o garimpo em terras indígenas é um dever moral que a sociedade brasileira tem com aqueles que descobriram o Brasil antes dos portugueses.

Defesa da Amazônia, combate ao desmatamento, respeito às leis ambientais e proteção dos povos indígenas, aliado ao enfrentamento das mudanças climáticas, são destaques nas diretrizes do plano de governo do movimento Vamos Juntos pelo Brasil, da coligação Lula-Alckmin.

 “Temos que cuidar da floresta e do povo amazônico para dar emprego, salário, qualidade de vida.  Precisamos cuidar dos indígenas porque é até dever moral cuidar daqueles que descobriram o Brasil bem antes dos portugueses e que têm direito de viver dignamente da forma que quiserem viver para manter a cultura indígena viva. (…) O que posso dizer é não haverá garimpo em terras indígenas. Questão de lei, da constituição, um dever moral da sociedade brasileira para com os indígenas brasileiros”.

Lula lamentou novamente os assassinatos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira e criticou a política do atual governo com relação à Amazônia e do presidente Jair Bolsonaro nesse caso.

 “É uma pena que o governo inexista nesse momento nessa região, é uma pena que o governo tenha cometido descaso com a preservação da Amazônia, dos territórios indígenas e com a saúde da população. Vamos voltar a fazer o que já vínhamos fazendo. Tínhamos diminuído o desmatamento na Amazônia em 80%.  Estávamos fazendo marcação de terras indígenas e de territórios que fossem reservas florestais para a humanidade viver mais dignamente com aquilo que a Amazônia pudesse contribuir”, disse, acrescentando que, desde o golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff da Presidência, o Brasil é governador por pessoas que não se preocupam com isso e que passam por cima disso.

“É grave porque vínhamos num processo ascendente de fortalecimento da Funai, de fortalecimento da Polícia Federal na região, da fiscalização na região em função do tráfico de armas e de drogas. Lamentavelmente, depois do golpe, toda estrutura de acompanhamento das reservas indígenas, todo o sistema de fiscalização que tinha sido montado foi sendo destruído e incentivado pelos governos fascistas de que era importante abrir as porteiras para passar o gado, abrir as porteiras para passar o garimpo, abrir as porteiras para que pescadores profissionais fossem pescar em reservas indígenas”, afirmou.

De acordo com o ex-presidente, em vez de cuidar e preservar, o atual governo tem a política de descuidar e desmatar. Em resposta a questionamento sobre a Funai, Lula disse que a instituição é a cara do desgoverno e que o fato de o indigenista Bruno Pereira ter sido mandado embora por causa das posições em defesa dos indígenas é uma demonstração de que o atual governo não tem responsabilidade nenhuma.

“Por isso que a sociedade brasileira precisa se dar conta de que talvez em 2018 o povo pode ter cometido erro histórico, quem sabe por causa das mentiras e fake news, de eleger uma pessoa com comportamento fascista, sem nenhum comportamento civilizatório, que não conhece o Brasil e que não sabe a importância da preservação da floresta para o planeta Terra e não sabe a importância da Zona Franca para a Amazônia. “Significa que ele só sabe fazer bobagem. Não tem comportamento adequado que deveria ter como presidente”

Lula afirmou que a questão das fronteiras e do papel do Exército e da Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas e de armas e na garantira da segurança será pauta de reunião entre ele e os governadores do PT e de partidos aliados.

Assista na íntegra: