19 de julho de 2021

No Brasil de Bolsonaro, se alimentar com dignidade não é tarefa fácil. Uma simples ida ao mercado passou a ser um pesadelo para a maioria das famílias, por causa da alta absurda de preços dos alimentos. Comer carne, então, sonho que se tornou realidade durante os governos petistas, infelizmente ficou por lá. O brasileiro já vinha trocando a carne vermelha por ovos, frango e carne de porco, mas até isso vai ficar mais difícil. Esses produtos podem ficar até 50% mais caros ainda neste ano.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, o aumento dos preços deve ocorrer devido à alta dos custos de produção nos últimos 12 meses. Sem políticas voltadas para os mais pobres, o prejuízo será repassado integralmente ao povo brasileiro. Hoje, o Brasil exporta para a China grande parte da nossa produção de carne bovina e suína. Aos brasileiros, resta o farelo de arroz, antigamente utilizado na alimentação de animais e hoje vendido nos supermercados a R$ 16.

Essa situação gera cenas terríveis, que parecem saídas de um passado nem tão distante. Nosso povo, antes da eleição de Lula, sempre conviveu com a fome. No Brasil de 2021, vemos cenas como a de dona Suzete Maria da Silva, de Maceió, que ganhou as capas dos jornais por chorar enquanto passava as compras no caixa do supermercado.
“Está tudo muito caro, a gente não sabe mais o que fazer, vem fazer compra e não sabe o que comprar. A gente não consegue comprar mais carne, pois o dinheiro não dá. Eu sou aposentada e continuo trabalhando”, lamentou Dona Suzete.

Jornais estampam as filas que cidadãos fazem para receber doações de ossos de boi, em Mato Grosso, estado que mais exporta carne bovina no país. “Tenho muito medo de piorar mais. Não gosto nem de pensar nisso. Deus não vai deixar acontecer. Antes as coisas eram melhores, depois que tirou o Lula, a coisa ficou pior. (Antes)conseguíamos comprar comida, tinha emprego”, disse Dona Ana Maria de Jesus Araújo enquanto aguardava na fila. A história dela é a de milhões de Marias, Anas, Josés, milhões de brasileiros que vivem hoje em situação de insegurança alimentar. Sob o comando de Bolsonaro, entre 2018 e 2020, 7,5 milhões de brasileiros passaram ao menos um dia inteiro se se alimentar (insegurança alimentar grave) e quase um quarto dos brasileiros (23,5%) passou por insegurança alimentar moderada (dificuldade e restrição no acesso a alimentos – não faz 3 refeições ao dia), um total de 49,6 milhões de pessoas.

Essas 7,5 milhões de pessoas em estado de insegurança alimentar grave representam quase o dobro do que se verificava entre 2014 e 2016. Esses dados fazem parte do relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo”, elaborado por 5 agências da Onu. E esse cenário é ainda mais grave quando consideramos a pandemia, o aumento do desemprego e a alta considerável de preços de itens como energia elétrica e gás de cozinha.


Uma pesquisa realizada pesquisa EXAME/ideia divulgada em julho deste ano mostra que as pessoas têm sentido o peso desse aumento expressivo dos preços de itens básicos de sobrevivência. 71% dos entrevistados concordam que a inflação passou a ser um problema no dia a dia; 86% perceberam um aumento maior nos preços de bebidas e alimentos; 63% declaram ter mudado seus hábitos alimentares por causa da inflação em 2021e 86% declaram que o aumento dos preços de comidas e bebidas foi o que mais pesou no orçamento familiar.

Mas a realidade nem sempre foi assim. Lutar contra a fome sempre foi uma obsessão de Lula, porque ele conheceu a fome de perto. Em seu discurso de posse, em 2003, Lula declarou Lula afirmou: “se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida”. A partir daí, ele iniciou uma caçada contra um mal que já fazia parte da identidade do9 Brasil. Essa cruzada, que teve tantos resultados positivos, como o Bolsa Família, tirou o Brasil do Mapa da Fome, em 2014.

Na direção oposta, a maneira de acabar com a fome no Brasil, para Bolsonaro, é (como sempre) omitindo dados. O Brasil foi o único país da América do Sul a não fornecer dados oficiais para as entidades sobre o número de brasileiros subnutridos. Infelizmente para Bolsonaro e para o nosso povo, governado por um presidente incapaz e insensível, a falta de dados não é capaz de apagar a realidade: voltamos a um passado sombrio de incertezas, sofrimento e estômagos vazios.