28 de agosto de 2018

Teófilo Otoni, no Norte de Minas, estava fadada a ter apenas uma faculdade privada, se não fosse por Luiz Inácio Lula da Silva. Quem conta é Maria José Hauesein Freire, que foi deputada e prefeita da cidade. Ela tinha um sonho antigo de criar uma universidade pública na região, mas lhe disseram que jamais conseguiria, porque alguns políticos da cidade não queriam concorrência.

Chegou a pedir o apoio de alguns governantes, mas ninguém se prontificou. Com exceção de Lula. Foi ela conversar a respeito com o ex-presidente e a universidade saiu do papel. Hoje, o campus da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Teófilo Otoni, tem 10 cursos e mais de 2 mil alunos matriculados. Cerca de 60% dos estudantes são da região do Vale do Mucuri, que abrange 27 municípios e 670 comunidades de agricultura familiar.

O campus de Teófilo Otoni foi um dos 16 construídos pelos governos petistas em Minas Gerais, ao longo de 13 anos. Esta não foi a única iniciativa para facilitar o acesso dos mais pobres ao ensino superior. Em 2004, Lula criou o Prouni, que oferece bolsas de estudos de 50% e 100% a estudantes carentes interessados em ingressar em faculdade particular. O programa já beneficiou 220.421 pessoas somente em Minas. O Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), que foi totalmente reformulado pelo ex-presidente, permitiu o acesso de 353.467 a universidade pagas, no mesmo período.  

O número de matrículas na rede federal de ensino técnico mais que duplicou, passando de 13,3 mil, em 2002, para 29,8 mil, em 2015. Foram 47 novas escolas técnicas em Minas Gerais e 950 mil matrículas no Pronatec.

Para avançar ainda mais na Educação e impedir o retrocesso promovido pelo golpe de Temer/PSDB, o presidente vai continuar investindo em todas as etapas e modalidades do setor. No Plano Lula de Governo, porém, está o compromisso de dar atenção especial ao ensino médio, que vive uma crise sem precedentes. De cada 100 jovens que ingressam na escola, apenas 59 concluem o ensino médio e somente 22,6% das escolas de ensino médio têm infraestrutura considerada adequada.

Para começar, Lula vai revogar a reforma do ensino médio implantada pelo governo golpista. Depois, vai promover a reformulação curricular por meio da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio, construída em diálogo com a sociedade. A nova base garantirá aos estudantes educação integral, por meio de projetos pedagógicos que, a exemplo dos Institutos Federais, permitam o acesso ao estudo do português e da matemática, aos fundamentos das ciências, da filosofia, da sociologia e das artes, à educação física, à tecnologia, à pesquisa, em integração e articulação com a formação técnica e profissional.

Entre outras propostas para a educação está a de direcionar 70% dos recursos destinados à gratuidade, oriundos das Contribuições Sociais arrecadadas pela União para manutenção do SESI, SENAI, SESC, SENAC e SENAR, à ampliação da oferta de ensino médio de qualidade.

No ensino fundamental, serão realizados fortes ajustes na Base Nacional Comum Curricular em diálogo com a sociedade, para retirar as imposições obscurantistas e alinhá-la às Diretrizes Nacionais Curriculares e ao PNE. A meta é garantir que todas as crianças, adolescentes e jovens de 4 a 17 anos estejam na escola e que aprendam.

Lula voltará a investir no ensino superior e ampliará os investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Universidades e Institutos Federais serão fortalecidos, interiorizados e expandidos com qualidade e financiamento permanente. Serão recompostos os orçamentos das universidades e dos institutos federais. Ademais, o Programa Nacional de Assistência Estudantil será fortalecido.

Na educação infantil, Lula pensa na perspectiva da educação integral. Ele quer retomar a colaboração com municípios para ampliar as vagas em creches, além de fortalecer as políticas voltadas para a pré-escola.

Como disse Anderson Soares da Silva, antigo estudante da UFVJM e hoje funcionário concursado do campus de Teófilo Otoni, é preciso criar oportunidades. “Pobre também pode chegar em qualquer lugar, basta ele ter oportunidade. E isso só através de políticas públicas, se não, não tem outro jeito de chegar a determinados lugares”.