25 de setembro de 2018

Em ato realizado nesta segunda-feira à noite (24/09), o candidato do PT à presidência, Fernando Haddad, destacou o papel da educação na transformação do país, relembrando os feitos dos governos Lula e Dilma na área. No “Ato Nacional com Fernando Haddad e Manuela D’Ávila pela Educação, Ciência & Tecnologia”, o petista resumiu sua visão sobre o tema com uma frase essencial: “É tudo uma questão de oportunidade”.

Fernando Haddad participa de Ato Nacional em defesa da Educação, Ciência e Tecnologia. #HaddadPresidente

Publicado por Lula em Segunda, 24 de setembro de 2018

Haddad se recordou que, antes do governo de Lula, determinados organismos internacionais e certos formadores de opinião brasileiros “tentavam nos dizer que não tínhamos dinheiro para investir em educação, em ciência, em conhecimento” e “que éramos um país pobre, que não podíamos fazer isso”.

Ministro da área de 2005 a 2012, Haddad foi enfático em seu registro: “Na educação, demonstramos que essas teses estavam completamente equivocadas”. Durante a gestão de Lula, Haddad se recorda: “o presidente resolveu quintuplicar o Orçamento do ministério da Educação, que passou de 20 bilhões para 100 bilhões”. E ressaltou: “Isso é o Lula. Isso é o Lula”, emocionando os presentes.

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Haddad explicou que o governo de Lula trabalhou para atender às metas de investimento previstas no Plano Nacional de Educação, e depois para superar o que o PNE previa, de modo a “não deixar nenhuma etapa da educação para trás”.

O candidato à presidência pela coligação PT-PCdoB-PROS recordou que “cumprimos tudo e mais um pouco” do que o governo Lula se comprometeu, em 2003, a realizar na área. Haddad ainda fez um paralelo com o novo Plano de Governo representado pela sua candidatura e de Manuela D’Ávila, fruto de muitas contribuições, e que eles têm “recebido reivindicações e trabalhado em uma pauta voltada a inaugurar esse novo ciclo de direitos e de afirmação da cidadania no país”.

Para ele, esse tipo de documento com reivindicações, como o que foi entregue a ele hoje no ato, representa a busca por estar junto ao povo e por atender ao anseio popular.

Haddad tem viajado por todo o país, voltando a regiões em que os governos do PT inauguraram novas universidades, institutos federais, novos câmpus de instituições já existentes etc. O ex-ministro disse que, hoje, “em cada esquina do Brasil, ouvimos depoimentos do filho de pedreiro que virou doutor. São milhares de depoimentos assim”.

Em seu melhor estilo, contando histórias e dividindo aprendizados, Haddad disse que, recentemente, “um rapaz veio nos contar que ele era filho de pedreiro e virou engenheiro. Aí, as pessoas brincaram que a gente já tinha ouvido essa história milhares de vezes, mas aí ele contou que o pai dele também virou engenheiro”.

Muito à vontade, Haddad destacou que “não tem limites para essas pessoas” e que “a história que te emocionou ontem” já virou algo maior hoje. É tudo uma questão de oportunidade.

Haddad no Ato Nacional pela Educação, Ciência & Tecnologia (Foto: Ricardo Stuckert)

Relembrando Lula
Haddad contou de seu encontro hoje com Lula, e disse que, “se fosse adversário do Lula, eu não prenderia ele. Muito ruim deixar um cara com aquela inteligência 24 horas por dia pensando”. Para Haddad, “Lula deveria ser tratado como um estadista”, e não passar por tudo o que está passando. Nesse cenário, ele explicou que Lula não irá abrir mão da defesa de seus direitos e de ter sua inocência confirmada pelos tribunais superiores, visto que o mérito da questão deve ser julgado pela ONU em 2019.

O presidenciável falou dos verdadeiros crimes de “lesa-pátria” cometidos atualmente pelo governo ilegítimo de Michel Temer e por seus apoiadores, como a venda da Embraer, o congelamento dos gastos públicos, a privatização da Eletrobras. Haddad destacou que, apesar de tudo o que aconteceu desde o golpe contra Dilma e a democracia, “nós estamos aqui. Acharam que iam nos liquidar”.

Haddad ressaltou que “decidimos não abrir mão de tudo isso que construímos em décadas. Não queremos destruir esse país. Queremos devolver o Brasil para o povo”. Ele ainda salientou que “o Brasil tem um potencial incrível. Temos toda a condição para sair da atual situação. Com oportunidades, o país reage rapidamente”.

O candidato do PT aludiu à chegada de novos ventos ao país. Depois de tantos anos massacrando o povo e os trabalhadores, “a primavera começou de novo”. Destacando que a campanha se aproximou rapidamente do líder das pesquisas, Haddad explicou: “Eles acham que isso é fruto de uma pessoa, de duas pessoas, mas isso é fruto de uma mobilização social que começou na redemocratização”.

O candidato mandou um recado a quem tenta a todo custo acabar com o PT: “Nós começamos no fim do regime militar. Ninguém aqui está a fim de ‘pendurar a chuteira’, porque nós temos o melhor projeto para o país”, um projeto que acolhe e cuida das pessoas.

Haddad mostrou indignação frente à atual situação do Brasil e frente à carga de preconceito e ódio que vem sendo destilada por certo candidato. “Você fica pensando o que aconteceu com esse país! Um candidato falar essas coisas?!”, questionou.

Haddad citou como exemplo a questão da tributação de renda no país: “Temos um dos impostos dos mais regressivos do mundo! E o sujeito propõe aumentar o imposto de renda dos mais pobres e diminuir dos mais ricos?”. O candidato perguntou aos presentes: “Nada choca mais? A proposta de uma Constituição feita por notáveis? Me parece que a elite perdeu a noção. E perdeu a capacidade de se indignar com esse tipo de absurdo”.

O presidenciável afirmou não lhe parecer “ser possível que o país tenha mudado tanto a ponto de tolerar esse tipo de declaração” e convocou o campo progressista a uma intensa mobilização até o dia 07 de outubro. “É muita coisa que está em jogo. Não é só a eleição. Estamos vivendo um momento muito perigoso, com as instituições em jogo”.

Manuela emociona
Manuela contou que passou muito tempo pensando em como começar a falar hoje no ato, “pensando em como falar com educadoras e educadores, pesquisadores e pesquisadoras, com os estudantes do nosso país”.

A candidata à vice-presidente, então, começou se recordando de quando ingressou na universidade, em 1999, tempos em que não havia nenhum recurso do governo federal para a universidade pública. “Foi o ápice do esforço de privatização das nossas universidades públicas no governo Fernando Henrique Cardoso. Foi por isso que comecei a fazer politica estudantil”, lembrou, ressaltando que ela “talvez seja da última geração que começou a fazer política na universidade antes do governo Lula”.

Manuela no Ato Nacional pela Educação, Ciência & Tecnologia (Foto: Reprodução/Facebook)

Manuela se lembrou de muitas coisas que as pessoas ali reunidas também presenciaram: “somos todas testemunhas da transformação que o Brasil vivenciou quando Lula foi presidente da República e Haddad ministro da Educação. Somos testemunhas vivas dessa transformação, testemunhas da democratização do acesso à universidade, a democratização do conhecimento. Somos testemunhas da ampliação do transporte escolar, que promoveu a dignidade de milhares de crianças, que passaram a ser levadas de casa até a escola; testemunhas do que passou a representar o livro didático no país”.

Manuela emocionou os presentes, lembrando que “vimos os jovens sonhar um sonho que antes não fazia parte dos sonhos das pessoas mais pobres, construído por meio do Prouni”, e explicou que “falo do que nós vimos, para que a gente imagine juntos o Brasil que a gente pode construir”. Para a candidata à vice na coligação “O Povo Feliz de Novo”,”o sonho de Lula não é só o sonho de Lula, é o nosso sonho de país. Vamos fazer das escolas o principal mecanismo de transformação do Brasil”.

Propostas para o país
Haddad também concedeu uma breve entrevista antes do evento e disse aos repórteres que “o Brasil está precisando de propostas e de tranquilidade” e que sua campanha irá “trabalhar até o dia 07 com tranquilidade e muita serenidade”.

Destacando que “a questão da Ciência é muito importante para o Brasil”, o presidenciável defendeu aos jornalistas que “precisamos recuperar o Ministério da Ciência e Tecnologia. E nosso objetivo é não só chegar a 2% de investimento do PIB em Ciência, mas integrar os departamentos científicos das empresas e também das Forças Armadas”.

Fernando Haddad participa de Ato Nacional em defesa da Educação, Ciência e Tecnologia. #HaddadPresidente

Publicado por Lula em Segunda, 24 de setembro de 2018

Para Haddad, “as Forças Armadas estão muito distantes do que diz respeito à ciência produzida nas universidades e nos institutos de ciência do antigo Ministério da Ciência e Tecnologia”.

Uma das propostas da coligação “O Povo Feliz de Novo” nesse campo é “criar um sistema de produção científica no Brasil que dialogue mais com a comunidade científica. Então, não é só ampliar os recursos, mas, sobretudo, ampliar a integração dos vários departamentos de governo envolvidos com a produção de conhecimento”, concluiu Haddad.