13 de julho de 2020

Queridas companheiras e queridos companheiros.

Trinta anos atrás, a América Latina estava dando os últimos passos para sair das ditaduras militares que oprimiram nossos países por décadas ao mesmo tempo em que assistíamos a uma grande transformação do sistema mundial. Por um lado, o fim do socialismo real na União Soviética e no Leste Europeu e por outro a ascensão de uma nova doutrina econômica de acumulação de capital, o neoliberalismo.

Vínhamos também de alguns reveses políticos como nas eleições presidenciais na Nicarágua e no Brasil. Neste último, apesar do bom resultado alcançado pelo Partido dos Trabalhadores, o vitorioso foi um defensor do neoliberalismo.

Numa conversa que tive com Fidel na época, coincidimos que seria importante analisar esta nova conjuntura e seus impactos para a América Latina e o Caribe e decidimos que o PT poderia convocar um encontro de partidos e de movimentos políticos de nossa região para discutir este tema e as iniciativas que deveríamos adotar. Para nós, foi muito oportuno, pois o PT acabara de sair de seu 7° Encontro Nacional onde formulou sua posição sobre o modelo de socialismo que defenderíamos e que seria radicalmente democrático, pois do contrário não seria socialista.

Porém, não imaginávamos inicialmente que esse encontro de partidos e movimentos chegasse onde chegou, tornando-se um foro permanente e até uma referência para partidos de esquerda e progressista de todo o mundo, além de sua contribuição para promover mudanças de governos e políticas no continente a partir de 1998.

O sucesso do Foro de São Paulo deve-se à dedicação de muitas companheiras e companheiros, mas gostaria de prestar uma homenagem especial ao companheiro Marco Aurélio Garcia que, não está mais entre nós. MAG foi um importante formulador político da esquerda latino-americana, além de ter sido secretário de relações internacionais do PT e Secretário Executivo do Foro, função que conduziu com muita competência e dinamismo.

Após trinta anos de existência, o Foro enfrenta novos desafios diante do crescimento da extrema direita no continente, da pandemia do Corona Vírus e do abandono em que nosso povo se encontra devido à radicalização dos ajustes neoliberais da economia e das políticas sociais. Mais do que nunca é o momento de defendermos e recuperarmos a democracia em nossos países, bem como reivindicar o papel do Estado na defesa das pessoas e não do mercado como está ocorrendo. Este debate estratégico cabe ao Foro de São Paulo implementar com muito empenho.

Companheiras e companheiros, parabéns pelo trigésimo aniversário e viva o Foro de São Paulo e seus membros.

Luiz Inácio Lula da Silva