21 de setembro de 2021

Bolsonaro está atolado até o pescoço com denúncias no âmbito da CPI da Covid referentes à propaganda que faz em relação à prescrição de medicamentos comprovadamente ineficazes no tratamento da covid-19. Mesmo assim, o presidente defendeu o chamado “tratamento precoce” em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na manhã desta terça-feira (21).

Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso off-label. Não entendemos por que muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos“, finalizou. A fala de Bolsonaro, motivo de vergonha pra brasileiros, pode inclusive ser usada contra ele em tribunais internacionais.

O discurso de Bolsonaro, marcado por mentiras de todos os tipos, que parecia se referir a um país completamente diferente ao exultar seus feitos no combate à pandemia e no sucesso da política ambiental, por exemplo, provocou incredulidade dos presentes. Bolsonaro teve coragem de mentir que concedeu auxílio emergencial de 800 dólares, o que equivaleria a cerca de R$ 4.000 mensais, mais de 10 vezes o valor real concedido pelo governo. Os poucos aplausos retardatários retrataram bem o clima geral dos chefes de Estado presentes na cerimônia.

Bolsonaro está envolvido no maior escândalo da medicina brasileira suspeito de endossar um estudo do plano de saúde privado Prevent Senior com cobaias humanas para testar o uso de medicamentos como hidroxicloroquina e outros que compõem o chamado “kit-covid” no tratamento da doença. Pelo menos sete pacientes morreram. Um grupo de juízes apresentou ao Senado um parecer de 200 páginas apontando os crimes do mandatário para que ela seja julgado por crimes contra a humanidade em Cortes Internacionais.

Em Nova York, o presidente brasileiro e sua comitiva têm buscado burlar as regras que exigem vacinação para frequentar espaços públicos. Em um encontro com Boris Johnson, o premiê britânico defende a vacina AstraZeneca, também fabricada no Brasil, enquanto Bolsonaro confirma nossa posição de parias do mundo ao dizer que não se vacinou. Veja o vídeo.