22 de março de 2022
Foto: Ricardo Stuckert

Em entrevista à rádio Som Maior, de Criciúma (SC), na manhã de hoje, 22, o ex-presidente do Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a atual política de preços da Petrobras, baseada no dólar para ampliar o lucro aos acionistas e não pensada para melhorar a situação da população brasileira. Para ele, a privatização da BR Distribuidora é um dos principais fatores que contribuem para a situação.

“Toda a política atual da Petrobras é para ter lucro, não para fazer investimento, mas para dividir com os acionistas de Nova York. Enquanto a gente enriquece os acionistas, a gente empobrece a sociedade brasileira, isso é uma coisa descabida. Não existe nenhuma razão para que a gente tenha o preço da gasolina, do óleo diesel, o preço do gás dolarizados. Acontece que quando se destruiu a BR, em nome do desenvolvimento, de repartir em várias empresas, o que aconteceu? Destruiu-se a BR e hoje temos 392 empresas importando gasolina dos Estados Unidos, importando gasolina a preço de dólar quando a nossa gasolina é produzida em reais. É importante que o preço da gasolina seja em função da nossa moeda, em função do nosso custo real”, disse ele.

Para Lula, uma retomada da soberania brasileira em relação ao petróleo passa, necessariamente, por uma ampliação da capacidade de refino da indústria nacional, algo que foi política essencial nos mandatos dele e da presidenta Dilma Rousseff, mas que foi interrompido após o golpe parlamentar de 2016.

“Quando eu deixei o governo, a gente estava fazendo uma refinaria no Maranhão, uma no Ceará, fizemos a refinaria Clara Camarão no Rio Grande do Norte, que era de querosene para avião, fizemos a refinaria de Pernambuco, a refinaria do Comperj no Rio de Janeiro, que não vai mais refinar petróleo, vai ser uma indústria mais petroquímica. Era preciso que a gente dotasse o Brasil de capacidade de refino. O Brasil hoje está com a capacidade de refino de 90%. Não pode mais porque não tem refinaria, é preciso construir mais, mas uma refinaria leva de 5 a 7 anos pra ser construída. Enquanto a gente não fizer isso, a gente vai ficar importando e o povo que ganha salário em real, o povo que compra comida em real vai ter que pagar gasolina a preço de dólar porque o Brasil virou um país dependente, abriu mão de sua soberania”, criticou.

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O ex-presidente lembrou também que parte da política que manteve os preços dos combustíveis em um nível aceitável durante o seu governo também envolveu um incentivo jamais visto à indústria petrolífera nacional, com investimentos também na indústria naval, construção de navios petroleiros, sondas e plataformas em estaleiros nacionais.

“Quando nós decidimos que a construção de sondas, de plataformas e de navios iria ter 65% de componentes nacionais, é porque a gente queria gerar emprego neste país, é porque a gente queria gerar uma indústria específica neste país para o de óleo e gás, para o setor de petróleo. Isso foi desmontado. Em benefício de quem, meu Deus do céu? Em benefício da subserviência do Brasil, a ponto de você ter um presidente da República dizendo ‘se eu pudesse eu dava um murro na mesa da Petrobras’. Não, um presidente não tem que dar murro na mesa, o presidente tem que reunir a diretoria da Petrobras, fazer uma reunião com o Conselho de Política Energética e discutir o preço do combustível, discutir o preço do gás de cozinha. Porque é inadmissível o gás em alguns estados custar R$ 150, a gasolina em alguns lugares está mais de R$ 8 o litro”, destacou.

A guerra e os fertilizantes

Lula também falou sobre a alegação, por parte do governo atual, de que a guerra entre Ucrânia e Rússia, está afetando o preço dos fertilizantes, algo que pode ser repassado para os consumidores como aumento no custo dos alimentos.

“Agora estão dizendo que o fertilizante tá caro por causa da guerra da Ucrânia. O Brasil poderia ser autossuficiente em fertilizante porque é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo. Um país com o potencial de produção de alimentos que tem o Brasil não precisa importar, pode produzir aqui. Eles fecharam as fábricas que a gente tinha três no Paraná, duas em Sergipe, na Bahia, e mais importante, a fábrica de ureia que a gente tava fazendo em Três Lagoas, que estava 85% pronta, simplesmente paralisaram, a fábrica de amônia que a gente tava fazendo eles paralisaram, numa demonstração de irresponsabilidade total”, ressaltou o ex-presidente.