04 de outubro de 2021

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) revelou neste domingo (03) que mais de 330 políticos, funcionários públicos de alto escalão, empresários e artistas de 91 países têm empresas offshore, ou seja, em paraísos fiscais. Dentre eles, os nomes de Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central.

Isso quer dizer que os dois grandes responsáveis por gerir a política cambial do país e combater as desigualdades econômicas estão lucrando com o dólar nas alturas e o real extremamente desvalorizado. Enquanto o dólar alto leva o preço dos combustível a valores astronômicos (graças à política de dolarização levada a cabo por Bolsonaro), eleva a inflação e diminui o poder de compra de itens básicos dos brasileiros, o ministro da Economia e o presidente do Banco Central ficam mais ricos.

De acordo com a reportagem da Piauí, devido à alta da taxa de câmbio desde que virou ministro, os US$ 9,55 milhões de dólares iniciais que Guedes mantinha na Dreadnoughts International Group, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, tiveram uma valorização que chegou a 14,5 milhões de reais. Guedes mantém a empresa aberta.

Campos Neto aparece como dono da Cor Assets S.A., com sede no Panamá. De acordo com os documentos, a empresa foi criada em 2004, com US$ 1,09 milhão. Dois meses depois de fundá-la, o atual presidente do Banco Central transferiu mais US$ 1,08 milhão para a conta da empresa.

A reportagem da Piauí mostra que Campos Neto continuava como controlador da empresa quando assumiu o cargo de presidente do Bacen, em 2019, mas fechou a offshore cerca de 15 meses depois. Não é possível saber quanto dinheiro tinha na empresa quando foi fechada.

Mesmo que as empresas de Guedes e Campos Neto sejam legais, pesa o conflito de interesses. Como homens que lucram com o dólar alto podem ser responsáveis pela política econômica do Brasil?

Por aqui, a repercussão foi imediata e o povo brasileiro está indignado, não sem razão. Temos mais de 14 milhões de desempregados, o gás de cozinha bate R$ 120 em muitos lugares do país, assim como o litro da gasolina, que já chega a R$ 7. Muitas famílias tiveram que cortar a carne de sua refeições. Muita gente que não tem o que comer, e, nos últimos meses, as manchetes trazem fotos de brasileiros procurando ossos para se alimentar. Saber que um ministro lucra em cima dessa desgraça é revoltante.

O pior é ele tentar enganar o povo dizendo que a economia está decolando. E tem muita gente que ainda acredita naquele que foi o menino de ouro da campanha de Bolsonaro. Esse governo, que sempre agiu em nome dos próprios interesses, está à deriva. E nada de ruim do que aconteceu no Brasil foi por acidente. Para o governo Bolsonaro, a miséria do povo brasileiro é um projeto.