30 de agosto de 2018

As eleições presidenciais de 2018 trazem um candidato que tenta se dissociar do governo ilegítimo, que promove retrocessos no país há dois anos. Entretanto, o candidato notadamente representa a mesma agenda de desemprego, crise, recessão e ataque às políticas sociais do governo atual. Geraldo Alckmin (PSDB) e Michel Temer (MDB) são duas faces de uma mesma moeda: a agenda neoliberal que já afundou o país nas gestões do ex-presidente FHC, e que agora colocou o país em uma das maiores crises da sua história, sob a batuta do governo ilegítimo de Michel Temer. Isso é facilmente demonstrável através da posição de seus respectivos partidos nas votações no Congresso Nacional favoráveis a medidas tão nefastas, como a emenda constitucional do teto dos investimentos públicos e a reforma trabalhista.

Repetindo, reforçando e reafirmando: no frigir dos ovos, Alckmin é Temer e Temer é Alckmin, mesmo que o PSDB tente produzir mais um impagável (e “impegável”) Escondidinho Tucano.

Marcos Corrêa/PR/Agência Brasil/Agência Brasil

Alckmin e Temer ou Temer e Alckmin

Nesse cenário, o esforço de Geraldo Alckmin de descolar sua imagem de Michel Temer não encontra sucesso na tentativa de iludir a população. A julgar pelas (baixas) intenções de voto de Alckmin e pela péssima (consolidada e tendendo a piorar) avaliação do governo Temer, o eleitor brasileiro está identificando, e muito bem, a ligação entre ambos e a relação deles com os projetos que a população quer ver bem longe do Brasil.

Alckmin, ex-governador de São Paulo, demonstrou todo seu apoio ao presidente golpista na votação das principais medidas adotadas por Temer contra o povo e contra os interesses do país. Em troca, o PSDB recebeu, em meados de agosto, um carinhoso afago, além de seguir com um ministério e com diversos cargos estratégicos no Executivo federal.

As palavras são de Temer, não nossas. Em uma entrevista de avaliação sobre a conjuntura de seu governo e das eleições presidenciais de 2018, veja o que o comandante do golpe afirmou: “Se você dissesse: ‘quem o governo apoia?’ Parece que é o Alckmin, né?”. Foi ele mesmo quem reconheceu, apesar de o MDB, partido de Temer, contar com um candidato próprio, Henrique Meirelles.

Entrega total
Nas principais votações do governo ilegítimo no Congresso Nacional, os tucanos votaram mais alinhados com Temer do que com seu próprio partido, o MDB. É a versão 2.0 da parceria escondidinha entre PSDB e MDB.

Levantamentos realizados por agências de checagem demonstram que a votação da PEC do Teto de Gastos Públicos, proposta pelo Executivo, contou com o apoio de 100% dos 46 deputados do PSDB e dos 64 do PMDB que estavam presentes na Câmara. Sim, é isso mesmo. Todos os deputados do PSDB e do MDB votaram a favor da proposta que limitou por 20 anos as despesas do governo, bloqueando sonhos, cuidados com o cidadão e qualquer chance do Brasil voltar a crescer, ser feliz e se desenvolver. A medida foi aprovada pelo Congresso Nacional no final de 2016 e sua revogação será um dos primeiros atos de Lula ao retornar à presidência.

Já na reforma trabalhista, que trouxe graves prejuízos aos interesses e direitos dos trabalhadores, 98% dos 44 deputados tucanos presentes foram favoráveis à proposta. Os parlamentares do PSDB, nesse caso, entregaram a Temer uma fidelidade de votos maior até do que o percentual verificado entre os deputados do MDB. No caso dos emedebistas, 86% dos 59 parlamentares que estavam na sessão do dia 26 de abril de 2017 votaram pela reforma.

Agenda rejeitada nas urnas
As votações acima afirmam de modo cabal que a busca do PSDB e do MDB por chegar ao poder por vias ilegítimas tinha finalidades muito patentes: implementar as medidas rejeitadas pelas urnas, que viriam a ser aprovadas pelo governo do golpe.

Logo após a presidenta Dilma se reeleger no segundo turno em 2014, seu adversário, o tucano Aécio Neves, tratou de explicitar que iria trabalhar a todo custo pelo golpe. Em um inflamado discurso, Aécio expressou seu desapreço à democracia, sua desconfiança nos votos computados e seu não reconhecimento do resultado. Ali, ainda em outubro de 2014, o PSDB começava a demonstrar que caminharia junto ao golpe, ao desrespeito ao mandato de Dilma e à ruptura democrática. E o resto da história já conhecemos bem.

As medidas priorizadas por Temer e pelo PSDB na agenda do governo ilegítimo após o impeachment só aprofundaram a crise, que tomou conta do país, espalhando tristeza e sofrimento. Pior: colocaram em marcha uma agenda que foi derrotada nas urnas desde a primeira eleição de Lula, em 2002, e que, segundo demonstram todas as pesquisas eleitorais mais recentes, será novamente rejeitada pelos brasileiros e brasileiras no pleito de 2018.

Tais medidas, tão impopulares quanto prejudiciais ao Brasil, serão abordadas nos próximos dias em nossos conteúdos especiais sobre os Escondidinhos Tucanos, que passarão pelos seguintes temas, entre muitas outras pautas:

– A entrega do Pré-Sal;
– A Emenda Constitucional 95, que limita por 20 anos os investimentos públicos (PEC da Morte);
– A Reforma Trabalhista (feita sob medida para os patrões);
– As Privatizações promovidas e planejadas;
– A Reforma da Previdência.

Nas matérias, trataremos também de buscar explicar (ou entender?!) por que Temer é o pior presidente da história, de acordo com todas as pesquisas de opinião (ostentando mais de 90% de reprovação!). A série tratará, por fim, das políticas de arrocho adotadas por parte dos governos estaduais, e que Alckmin gostaria de reproduzir em um eventual mandato presidencial.

Leia mais: Candidato de Temer, Alckmin aposta na política de cortes do MDB