24 de agosto de 2021
Foto: Cláudio Kbene

Muito emocionado com o acolhimento recebido no encontro com movimentos sociais e culturais, Lula reforçou, na noite de terça-feira (23), Dia do Artista, a importância da soberania nacional para o povo brasileiro “andar de cabeça erguida e ter orgulho do chão onde pisa”.

No seu penúltimo compromisso no estado, o ex-presidente recebeu homenagens de artistas e lideranças sociais. Marcaram presença no evento organizações trabalhistas, como o Movimento dos Artistas e a CUT, eoutras representações sociais, como movimentos pela juventude potiguar.

No palco, ao lado da governadora Fátima Bezerra e da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, entre outras lideranças políticas, Lula escutou as demandas e prioridades da sociedade.

A primeira a discursar foi Eliane Bandeira, representante da CUT-RN, que criticou o processo de privatização dos Correios. Ela também lembrou a luta do companheiro José Teixeira, da CUT-RN, que faleceu devido a complicações da covid-19. Foi apresentado um vídeo da CUT com a mensagem: “Somos todos movidos por sonhos. Essa é a razão da nossa existência”.

Também falando de sonhos, a atriz Titina Medeiros compartilhou o sonho carregado pelos seus pais, o de eleger Lula presidente pela primeira vez. Mesmo na época sendo jovem e sem envolvimento com política, a artista já entendia que o desejo da sua família era compartilhado com muitos outros que lutavam por um Brasil mais justo. “O seu governo trouxe para a gente a possibilidade de fazer arte onde a gente mora, onde nós estamos, e não precisar ir para Rio de Janeiro e São Paulo. Eu sou artista potiguar e quero fazer arte aqui. E a descentralização do seu governo fez com que a gente sonhasse em poder estar fazendo tudo isso. E eu quero voltar a sonhar”, disse.

O vereador Pedro Gorki subiu ao palco com a missão de representar a juventude do Rio Grande do Norte: “Eu falo aqui hoje pela juventude sem terra, pela juventude sem teto, sem escola, mas que nunca será sem esperança e sem futuro”.

O sentimento de esperança deu o tom ao encontro e o discurso do ex-presidente não foi diferente, ao reforçar a ideia de que é preciso lutar pela soberania nacional.

“Soberania é uma coisa que nos garante andar de cabeça erguida, que nos faz ter orgulho de ser dono do pedaço de chão que a gente pisa. É o que dá orgulho para que a gente possa dizer que os nossos filhos não perdem em nada para os filhos dos outros países na capacidade e na qualidade da escolaridade”, pontuou em seu discurso.

Lula também avaliou a situação política nacional, criticando o desgoverno do país com Bolsonaro. “Esse país tem algo errado, e não é falta de riquezas. É falta de vergonha. É falta de compromisso, sensibilidade, humanismo e de competência para fazer as coisas acontecerem da forma mais decente possível”, lamenta Lula.

O ex-presidente fez questão de informar que a viagem pelo Nordeste foi só o começo da volta do país ao caminho para se tornar, novamente, uma potência econômica.

“Se preparem: essa viagem ao Nordeste foi só o começo. O começo de uma longa caminhada. Longa, dura e provocativa. Acreditem quando falo que tenho energia de 30 e tesão político de 20. Saibam que o filho de Dona Lindu não esmorece no meio do caminho. Se preparem que tem muita luta.”