17 de setembro de 2018

João Sette Whitaker Ferreira, ex-secretário de Habitação da prefeitura de São Paulo na gestão de Fernando Haddad (PT), desconstruiu os dados relacionados ao Programa Minha Casa Minha Vida apresentados pelo âncora Willian Bonner durante “entrevista” com o candidato a presidente no Jornal Nacional, na última sexta feira (14/09).

Em seu perfil de Facebook, Ferreira escreveu:

Depois da vergonhosa prestação de Bonner e Renata Vasconcellos na entrevista com Haddad, cheia de insinuações e mentiras disfarçadas de perguntas, vamos a um pequeno comentário que, de certa forma, me diz respeito.

Bonner disse a Haddad: “O Sr. prometeu construir 55 mil casas e o Sr. entregou 15.000”.

Vamos aos fatos reais (que o bom jornalismo deveria usar, em vez de manipular informações): a meta 35 do Plano de Metas da gestão de Fernando Haddad diz: “obter terrenos, projetar, licitar, licenciar, garantir fonte de financiamento e produzir 55 mil unidades habitacionais”.

Por que essa meta tão detalhada? Porque o processo de construção de casas é tão complexo que é quase impossível realizá-lo por completo em 4 anos de uma gestão. Precisa-se achar terrenos, desapropriar, fazer projetos, licenciá-los ambientalmente e na própria Prefeitura, licitar as obras e, é claro, conseguir dinheiro para fazer tudo isso. Muitas vezes uma gestão consegue desapropriar um terreno, obtém dinheiro (do MCMV por exemplo), faz o projeto, licita e inicia as obras, mas dificilmente conseguirá construir e entregar antes de 4 anos. Muitas vezes, uma gestão termina o que a anterior conseguiu viabilizar, e deixa coisas para a seguinte concluir. Isso é normal, é assim que funciona a gestão pública da produção habitacional.

Pois bem, a gestão de Fernando Haddad conseguiu viabilizar, em uma ou mais etapas da construção, dentre todas as acima descritas, 54.563 unidades, muito mais do que qualquer gestão anterior, das quais: 12.585 foram entregues (até nisso o Bonner errou), 23.624 foram deixadas em obra (em processo iniciado de construção), e 18.354 com terreno obtido, e obra com início próximo. E, nada mais nada menos de que outras 85.755 em processo de aprovação, mas que nem foram computadas à meta, por considerarmos essa etapa muito pouco para tal. E vale mencionar os R$ 617 milhões gastos em desapropriações de terras para produção de habitação social, e os R$ 58,4 milhões de recursos aportados como ajuda do município ao programa Minha Casa Minha Vida, para viabilizar mais unidades na cidade.

Acho que fica clara a desonestidade do “jornalista” William Bonner. Quantos mais dados será que ele manipulou?

ATUALIZAÇÃO: quem for olhar no balanço de governo no Diário Oficial notará números ligeiramente maiores. Isso porque eu usei aqui os do balanço específico da SEHAB, feito em outubro de 2016, sendo que até a publicação do balanço, em 31 de dezembro, passaram-se mais dois meses. Mas isso não muda em nada a análise, pelo contrário, já que são números até maiores.