16 de agosto de 2013

O investimento em geração de renda no meio rural é essencial para erradicar a fome em Angola. Essa é a visão de Afonso Pedro Canga, ministro angolano da Agricultura. Além disso, para Canga, o Estado precisa investir tanto na agricultura familiar como também promover os investimentos do setor privado. “Porque sem empresários não há emprego”.Atualmente, cerca de um terço da população angolana vive na capital Luanda. Este “inchaço” é conseqüência da guerra civil que assolou o país de 1975 a 2002. Durante os conflitos, milhões de angolanos deixaram as zonas rurais – onde aconteceram grande parte dos combates – para buscar proteção na capital. Em menos de 30 anos, a cidade de Luanda cresceu cinco vezes. Hoje, estima-se que sua população esteja em torno dos 5 milhões de habitantes, e pelo menos outros cinco milhões vivem nas cidades próximas, na província de Luanda.

Para combater este processo de esvaziamento do campo, o ministro de Agricultura angolano aposta na concessão de crédito agrícola. Segundo Canga, nos últimos anos o governo concedeu 350 milhões de dólares em crédito agrícola para 92 mil agricultores. Canga enfatiza que essa estratégia já trouxe resultados. Tanto é que Angola foi um dos 11 países africanos que já atingiram os Objetivos do Milênio para a fome. O país, que tem sua economia fortemente dependente das receitas do petróleo, também anunciou recentemente a doação de 10 milhões de dólares ao Fundo Fiduciário da Solidariedade Africana, criado para investir em projetos de erradicação da fome no continente e administrado pela Agência das Nações Unidas para Agricultura Alimentação (FAO).

O ministro falou com o Instituto Lula durante o encontro de alto nível “Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África até 2025″, que foi realizado entre 30 de junho e 1º de julho, na Etiópia. Angola foi um dos quatro países africanos que apresentaram suas estratégias para combater a fome e a pobreza durante o encontro de alto nível. Os outros três foram Maláui, Etiópia e Níger.

Leia abaixo a transcrição completa do vídeo:

Quais as estratégias adotadas por Angola na questão da segurança alimentar?
A segurança alimentar e nutricional, o combate à fome e à pobreza são políticas de Estado. Por isso toda a abordagem que se faz em torno desse tema e, como consequência, estamos a implementar um vasto programa com vista à segurança alimentar, à redução da pobreza e à elevação do nível de vida das populações.

Quais os desafios para aumentar a produção agrícola em Angola?
Naturalmente a população urbana, na África, em outros países e em particular em Angola é um desafio. Porque ele decorre do êxodo rural que se verificou ou que se verifica por várias razões. É por isso que o investimento no meio rural, na agricultura em particular e em outras atividades geradoras de renda no meio rural é um grande desafio e é um investimento que visa o desenvolvimento. O desenvolvimento das pessoas, desenvolvimento da sociedade, para que as pessoas lá onde estiverem possam ter condições de geração de renda para poder levar uma vida digna. Na educação, na assistência social deve merecer uma atenção especial e deve figurar nos orçamentos do Estado.

Como a iniciativa privada pode contribuir com a erradicação da fome na África e em Angola?
A iniciativa privada, ela tem um papel fundamental porque só havendo empresários é que vai haver emprego. O setor privado dinamiza a economia, cria emprego, induz a renovação. E na agricultura isso é muito importante. Então nós achamos que, ao mesmo tempo em que estamos investindo na agricultura familiar, que é muito importante e que deve ser técnica e financeiramente assistida, devemos também criar um quadro de promoção do setor privado, pela sua importância na economia, na sociedade e na estabilização e na diversificação das fontes de rendimento e de arrecadação de recursos financeiros do orçamento geral do Estado por via de impostos.

O Instituto Lula publicou uma série de seis vídeos com entrevistas de personalidades que participaram do encontro. A série mostrará entrevistas sobre o combate à fome na África com:
1. Marcio Porto, chefe da Secretaria de Relações Internacionais da Embrapa
2. Tereza Campello, Ministra do Desenvolvimento Social
3. João Bosco Monte, professor da Universidade de Fortaleza
4. Afonso Pedro Canga, Ministro de Agricultura de Angola
5. Tumusiime Rhoda Peace, representante da Comissão da União Africana (AUC) para Economia Rural e Agricultura
6. Mahaman Elhadji Ousmane, Ministro do Desenvolvimento e da Pecuária do Níger

Saiba mais sobre o encontro “Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África até 2025? no hotsite que o Instituto Lula preparou sobre o seminário: africa.institutolula.org