13 de agosto de 2013

Os programas sociais brasileiros podem servir de exemplo para iniciativas africanas no combate à fome e à miséria. E as empresas, além dos governos, também têm um papel importante no combate à fome na África. Essas são opiniões do especialista em comércio exterior e professor da Universidade de Fortaleza João Bosco Monte. O professor falou com o Instituto Lula durante o seminário “Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África até 2025″, que foi realizado entre 30 de junho e 1º de julho, na Etiópia.

João Bosco defende que não só o governo, mas a academia e as empresas também têm papel importante nos esforços para combater a fome e a miséria. Para ele, uma empresa pode se instalar em determinado local para ter lucro, e ao mesmo tempo conseguir mudar a realidade das pessoas. Assista abaixo a entrevista com o professor João Bosco Monte.

Leia abaixo a transcrição completa do vídeo:

Qual a contribuição dos acadêmicos na erradicação da fome na África?
A participação da Academia, da Universidade, eu entendo como sendo de absoluta necessidade. Porque a experiência empírica que as pessoas trazem para uma discussão como esta é importante, é importante essa participáção dos empresarios, é importante a participação da sociedade civil, mas eu entendo na construção de uma agenda a partir do olhar também da academia. Porque é na academia que você tem a gênese daquilo que é construído na sociedade, eu entendo que pode contribuir vislumbrando alternativas para o futuro. Obviamente a academia não anda sozinha nessa discussão, ela participa. E eu entendo que trazer para o seio do evento e aí você tem múltiplas ideias, múltiplas oopiniões, você pode convergir para um resultado que seja abrangente e ao mesmo tempo atenda às necessidades da África como sendo um locus que muitos acadêmicos já têm como uma realidade.

Qual a importância da iniciativa privada?
A iniciativa privada ela é parceira do público. Porque o público e o privado convergem para a realização da mesma iniciativa, que é o bem-comum. A empresa privada, obviamente ela tem uma função que não é o Estado. A empresa visa o lucro. Ela tem que no final do mês ter um resultado positivo, tem que ter lucro. Mas a iniciativa privada, ela pode participar de forma solidária, também obtendo lucro. As empresas que produzem grãos no Brasil, elas também poderiam produzir grãos em outros lugares. Então quando ela produz grão, o arroz, a soja, o milho no Brasil, ela no final das contas vai ter um lucro, porque vai vender esse produto, mas quando ela tem uma população que consome, que tem acesso, há uma transferência quase que natural para a própria empresa. Então a empresa que se instala num lugar onde há necessidade de produção de alimentos, por exemplo, ela se instala para ter lucro, mas ela também consegue mudar a realidade das pessoas. E essa mentalidade é algo que precisa ainda chegar no consenso dos empresários.

Como o Brasil pode ajudar?
O Brasil pode sim ajudar, as experiências existosas que o Brasil já demonstrou e os programas sociais que ultimamente nós temos experimentado. Quando eu digo nós, embora eu não seja um beneficiado diretamente do programa, porque não estou no universo dos atendidos, mas eu também sou beneficiado porque o entorno que nos cerca é beneficiado, e isso acaba tendo uma redundância para nós. Para mim inclusive, e para aqueles que de fato não são alvo dos planos. Essa experiência também precisa ser trasladada ou apresentada para alguns Estados africanos, que têm muitas vezes umas elites que não conseguem entender que a sociedade como um todo é formada também por aqueles que não têm acesso a esses bens que o governo e o Estado pode e deve prover.

O Instituto Lula publicou uma série de seis vídeos com entrevistas de personalidades que participaram do encontro. A série mostrará entrevistas sobre o combate à fome na África com:
1. Marcio Porto, chefe da Secretaria de Relações Internacionais da Embrapa
2. Tereza Campello, Ministra do Desenvolvimento Social
3. João Bosco Monte, professor da Universidade de Fortaleza
4. Afonso Pedro Canga, Ministro de Agricultura de Angola
5. Tumusiime Rhoda Peace, representante da Comissão da União Africana (AUC) para Economia Rural e Agricultura
6. Mahaman Elhadji Ousmane, Ministro do Desenvolvimento e da Pecuária do Níger

Saiba mais sobre o encontro “Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África até 2025? no hotsite que o Instituto Lula preparou sobre o seminário: africa.institutolula.org