29 de setembro de 2021
Foto: Ricardo Stuckert

Mais de 116 milhões de brasileiras e brasileiros vivendo em situação de insegurança alimentar, sem poder fazer todas as refeições no dia e consumir a quantidade necessária de proteínas e calorias, é motivo de indignação constante para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Rádio Capital, de Cuiabá (MT), na manhã desta quarta-feira (29), Lula resumiu este sentimento em uma declaração:  “A fome não é um fenômeno da natureza: é falta de vergonha na cara de quem governa esse país.”

Aos jornalistas do Mato Grosso que participaram da entrevista, o ex-presidente lembrou que o estado que mais produz e exporta produtos agrícolas e tem 30 milhões de cabeças de gado ficou dias no noticiário nacional de forma muito triste, com a “fila do osso”. Lula tem lembrado que o Brasil voltou ao mapa da fome por conta da ausência de governo. De um lado, não há planejamento estratégico e econômico na gestão da enorme produção de alimentos garantida pelo setor agropecuário. De outro, há o desmonte de programas sociais que mudaram o cenário da desigualdade no país.

“Uma das coisas que eu tenho mais orgulho é de saber que a ONU reconheceu que os programas sociais que a gente tinha colocado em prática tinham tido resultado extraordinário e riscou o Brasil do mapa da fome”, declarou. A estratégia para isso naquele momento e terá de ser novamente, é entender que “pobre não é problema, é solução”. “O milagre que a gente fez no Brasil foi colocar o pobre no orçamento”, resumiu o ex-presidente.

Para Mato Grosso, Lula lembra que agronegócio cresceu nos governos do PT

Questionado como iria dialogar com a população de um estado cuja base econômica e social é o agronegócio, o ex-presidente lembrou que, nos governos do PT, o setor foi amplamente beneficiado por políticas de apoio à produção e à exportação.

O ex-presidente lembrou da mega-renegociação de dívidas de crédito rural e fundiário promovida pela MP 432, num valor que chegou a R$ 72 bilhões. Também mencionou a grande disponibilidade de crédito tanto para o agronegócio, como para a agricultura familiar, que chegou à casa dos R$ 187 bilhões e R$ 30 bilhões, respectivamente, na gestão da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Ainda assim, não é este o debate que Lula quer fazer com o povo mato-grossense e de outros estados com grande presença do setor agropecuário na economia. “Não é por falta de bom tratamento ao agronegócio que as pessoas deixaram de votar no PT. Nós vamos ter que convencer ideologicamente as pessoas.”