20 de junho de 2013

Angola irá doar 10 milhões de dólares ao Fundo Fiduciário da Solidariedade Africana, criado para investir em projetos de erradicação da fome no continente.

Criado em fevereiro deste ano, quando a Guiné Equatorial investiu 30 milhões de dólares, o fundo é administrado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Além dos aportes de Angola e da Guiné Equatorial, dois grandes produtores de petróleo do continente, o governo dos Camarões e organizações civis da República do Congo também já contribuíram.

O fundo será um dos temas abordados no encontro de alto nível sobre segurança alimentar que está sendo organizado conjunto pela FAO, União Africana e Instituto Lula. O evento acontecerá nos dias 30/6 e 1/7, na sede da União Africana em Adis Abeba, Etiópia.

Leia mais sobre o encontro de alto nível: União Africana, FAO e Instituto Lula somam esforços para combater a fome na África

Ao contrário dos fundos tradicionais de ajuda à África, o Fundo Fiduciário não recebe recursos de doadores externos, mas é financiado pelos próprios países africanos. O dinheiro arrecadado será aplicado em projetos do CAADP, o plano de desenvolvimento agrícola da União Africana. “É um modelo muito interessante de cooperação Sul-Sul, em que países que estão em estágios semelhantes de desenvolvimento podem compartilhar experiências e conhecimentos”, afirma a pesquisadora Melissa Pomeroy, da Articulação Sul.

Maior solidariedade

A ideia do fundo nasceu em 2012, na República do Congo, durante a conferência regional da África. Na ocasião, o anfitrião do evento, o presidente Denis Sassou Nguesso, fez um apelo para as nações africanas se unissem para combater a fome no continente. Hoje, 239 milhões de africanos – quase um quarto da população – estão em situação de insegurança alimentar.

O anúncio do aporte de Angola foi feito hoje (20) pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Angola, Afonso Pedro Canga, durante o lançamento oficial do fundo, realizado na conferência anual da FAO, em Roma. “A África é um continente com enorme potencial agrícola. Apesar de termos todas as condições para produzirmos alimentos suficientes para toda a nossa população, hoje temos que importar alimentos”, disse Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, presidente da Guiné Equatorial, no evento. “Temos que fazer tudo o que está em nosso alcance para reverter esta situação”.

Comprometimento crescente

Para o brasileiro José Graziano, diretor-geral da FAO, os países africanos estão prontos para assumir uma responsabilidade maior no combate à fome do continente. “No mundo globalizado em que vivemos, não é possível atingir a segurança alimentar apenas em um país específico. Vejo que há um comprometimento político crescente para erradicar a fome e um desejo de transformar esse comprometimento em ações concretas”, disse Graziano. O diretor afirmou que a ONU está dando todo o suporte aos países africanos na luta contra a fome e convidou os países presentes a participarem do encontro de alto nível em Adis Abeba.