12 de setembro de 2018
Foto: Ricardo Stuckert

Sergio Gabrielli, coordenador geral da campanha de Fernando Haddad à presidência da República, participou do seminário “Debates do Brasil: os caminhos do futuro do óleo e gás”, nesta quarta-feira (12/9). Ex-presidente da Petrobras, ele ressaltou o quanto o petróleo é estratégico para todas as nações que o produzem; por isso, seu controle pelo estado é fundamental. “Das reservas conhecidas, 9 em 10 estão sob controle dos Estados. A abertura para o mercado não significa, necessariamente, um dinamismo maior para a exploração de petróleo. Esse não é o caminho que o mundo ensina”. Gabrielli falou também sobre a mudança de opinião de muitos a respeito do Pré-sal. “O Pré-sal era visto como uma ficção, algo inviável economicamente, uma invenção política. Hoje, reconhecem a importância da sua produtividade”, disse ele. Durante o debate, Gabrielli fez também a defesa do conteúdo nacional.

Promovido pelo jornal Valor Econômico, com patrocínio do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), o seminário contou com dois painéis. O primeiro, “Transição Energética – Uma Janela de Oportunidades para o Brasil”, foi apresentado por Clarissa Lins, da empresa Catavento Consultoria e diretora da IBP, e Suzana Kahn Ribeiro, professora da UFRJ. O segundo, “Setor de Óleo e Gás no Brasil, Impactos na Economia”, com Décio Odone, diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e José Firmo, presidente do IBP. Para o debate, estavam presentes, além de Gabrielli, Dirceu Abraão e Gonçalo Pereira, representantes de Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, respectivamente.

Gabrielli afirmou que o programa de governo do PT, orientado por Luiz Inácio Lula da Silva e coordenado por Fernando Haddad, tem cinco eixos e um deles trata da transição energética. “Nós entendemos que o problema central está no uso de recursos naturais em geral, incluindo água e terra. A produção de alimentos e o processo de utilização da terra têm papel muito importante. Além disso, há clara prioridade para a expansão de energias renováveis, tipo eólica e solar, e, sem dúvida nenhuma, os biocombustíveis são fundamentais nesse processo. Acreditamos que a taxa de crescimento dessas fontes será maior do que as energias fósseis. Porém, o volume absoluto de geração energética a partir dessas fontes renováveis, por muitos anos ainda, será pequeno em relação ao petróleo e gás. E, em relação ao petróleo e o gás, nós temos os maiores potenciais de reservas de novos barris”.

Gabrielli lembrou que muitas refinarias que trabalhavam com 90% da sua capacidade nos governos petistas, hoje, estão operando com 76%, algumas até com 56% da sua capacidade. “Houve claramente subutilização para viabilizar a importação dos derivados do petróleo”, afirmou. Ele disse que, hoje, o país caminha para inviabilizar a Petrobras como uma empresa grande e forte. “Estamos condenando a Petrobras, por uma opção do seu conselho administrativo, a dar prioridade no curtíssimo prazo para reajustar seus prejuízos financeiros”.

O conteúdo nacional, que visa incrementar a participação da indústria nacional de bens e serviços, em bases competitivas, foi defendido fortemente por Gabrielli. Ele afirmou que é preciso pensar a questão como política industrial e, como tal, ela tem que levar em conta que alguns segmentos dessa indústria estão em fase nascente.

“A indústria nascente, historicamente, precisa de proteção, convergindo para preços internacionais. Não pode ser setorial, tem que envolver ciência, tecnologia e incentivos da área econômica do governo. E precisa de um segundo elemento, que é de escala. Não pode dar estímulo à indústria local, quando a demanda é pequena. Então, precisa escolher nichos, com escalas que viabilizem o investimento da empresa de serviço, que possa produzir esses equipamentos no Brasil. Um terceiro ponto é que ela precisa ser modular. Tem ramos que têm potencialidade de mais rapidamente convergir para preços internacionais, outros não. Então, é preciso analisar subsegmento por subsegmento. Agora, abandonar a política de conteúdo nacional, com a idílica expectativa de que a competitividade vai levar a reduzir custos e viabilizar a expansão da indústria, vai, na verdade, concentrar renda petroleira e diminuir os impactos sobre a economia nacional”.