31 de agosto de 2021

No Brasil de Bolsonaro, o meio ambiente e as terras indígenas sofrem ataques recorrentes. Além das queimadas, o garimpo tem avançado no país, principalmente em áreas de preservação ambiental. Quem corre mais risco é a Amazônia, já que ela concentra 93% de todo o garimpo no país.

Vale ressaltar que o garimpo é a extração de minérios predatória e ilegal, geralmente concentrada em ouro. Já a mineração se relaciona com a atividade industrial e a produção de ferro e alumínio, podendo ser legal ou ilegal. Estimativas apontam que entre 80 mil e 800 mil pessoas trabalham no garimpo no Brasil. Só nas terras ianomâmis, em torno de 20 mil garimpeiros exploram a área de forma irregular.

Um estudo do MapBiomas publicado nesta segunda-feira (30) mostra que área ocupada pelo garimpo no Brasil já é maior que a ocupada por mineração, sendo que três de cada quatro hectares minerados (mineração Industrial e garimpo) no Brasil estavam na Amazônia em 2020, o que corresponde a 72,5% de toda a área minerada.

O levantamento mostra que a área ocupada por mineração no Brasil cresceu mais de 564% em três décadas e meia, e saltou de 31 mil hectares em 1985 para 206 mil hectares em 2020. Entre 2010 e 2020, a área ocupada dentro de terras indígenas, atividade que é ilegal, cresceu 495%.

Entre 2019 e 2020, houve um aumento de 56% nas ocupações irregulares dentro de áreas protegidas, segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA). São mais de 10,6 milhões de hectares ocupados de forma irregular.

O estudo MapBiomas mostra que em 2020, metade da área nacional do garimpo estava em unidades de conservação (40,7%) ou terras indígenas (9,3%). As terras indígenas Kayapó (7.602 ha) e Munduruku (1.592 ha), no Pará, e Yanomami (414 ha), no Amazonas e Roraima, são os três territórios indígenas mais afetados pela atividade.

Um levantamento do G1 com base em dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que o desmatamento por mineração na Amazônia entre janeiro e 13 de agosto de 2021 é o maior já registrado no período e área já supera o registrado nos 12 meses de 2020 – foram 102, 42km², área equivalente a mais de dez campos de futebol.

Bolsonaro nunca escondeu seu apoio ao garimpo. No ano passado, o governo enviou à Câmara dos Deputados um Projeto de Lei (191/2020) que pretende legalizar a atividade em terras indígenas. A proposta também prevê que sejam autorizadas a exploração de territórios indígenas para turismo, agricultura, pecuária ou extrativismo florestal.

Bolsonaro, filho de garimpeiro, manifesta seu apoio à atividade, em 2018

Com o apoio do presidente, o ataque de garimpeiros a indígenas avança junto com a destruição do meio ambiente deixada pelo garimpo. O relatório Cicatrizes na Floresta – Evolução do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami (TIY) em 2020 aponta que o crescimento da atividade se deu por um “afrouxamento dos mecanismos de proteção territorial, estimulada pelo discurso oficial de apoio à atividade e a consequente expectativa de não impedimento e eventual legalização”.

Além da violência, o garimpo traz consigo o problema do aumento de casos de malária entre indígenas, já que os buracos deixados pela atividade são terrenos férteis para proliferação do mosquito. Há ainda a contaminação por mercúrio, que pode provocar danos no sistema nervoso central e nos rins, além de ser muito tóxico para os organismos aquáticos, a principal fonte de subsistência dos povos nativos.

É uma catástrofe anunciada, bem conhecida e defendida pelo presidente Bolsonaro em sua cruzada contra o meio ambiente e os povos indígenas. E os danos não podem ser revertidos.