09 de agosto de 2018

Fernando Haddad, candidato à vice-presidência na chapa de Lula e seu porta-voz, participou na manhã desta quinta-feira (09/08) da sabatina promovida pelo banco de investimentos BTG Pactual. Entrevistado por Reinaldo Azevedo, Haddad reafirmou que o Partido dos Trabalhadores não vai abdicar de Lula e tem convicção de que o ex-presidente vai voltar: “como advogado do Lula, trabalho no registro da candidatura dele e vamos explorar todas as possibilidades. Eu vou lutar até o fim, porque ele é o candidato que a população quer”.

Reinaldo Azevedo, crítico notório aos governos do PT,  fez questão de iniciar os trabalhos salientando que Lula foi condenado sem provas. Haddad disse ser necessária uma grande discussão para contornar a atual instabilidade jurídica que vive o país, com protocolos rígidos para a delação premiada e um debate sobre controle externo das instituições: “[se] os próprios pares se fiscalizaram não dá certo. É importante saber quem vai controlar o procurador geral pra impedir abuso. E pra melhorar o controle do combate à corrupção. Nenhum poder está imune à corrupção, inclusive o Judiciário e o Ministério Público”.

Haddad relembrou que o governo Lula foi marcado não apenas pelo foco nos investimentos sociais, mas também por uma política fiscal robusta com responsabilidade fiscal, com recorde de superávit, queda da dívida líquida e crescimento sustentável. Em seu novo mandato, Lula retomará o rumo dos investimentos, da ampliação do consumo, da expansão dos créditos para as famílias e empreendedores. Haddad também salientou a importância de realizar mesas de negociação e diálogo com os diversos setores da população – incluindo o mercado financeiro e de investidores – para pactuar novas medidas e políticas econômicas. Ele falou sobre a necessidade de diminuição do spread bancário (ou seja, da diferença entre a taxa que o banco cobra ao emprestar dinheiro e a taxa que ele paga ao captar recursos), citando o jornal The Economist para apontar que os bancos brasileiros são os únicos no mundo que crescem tanto na crise quanto no crescimento econômico.

Segundo o ex-prefeito de São Paulo, a resposta para a crise não é impor um teto de gastos públicos (que não impediu gastos governamentais milionários nas pautas bombas no Congresso, por exemplo) ou promover uma reforma previdenciária que prejudique os mais pobres, como fez o governo golpista de Temer. Haddad falou sobre a importância de se tratar com os diversos estados e municípios para achar soluções para os regimes próprios da previdência.

Ele falou sobre um sistema tributário mais justo e mais racional para garantir que os entes federados não tenham perda de receita, assegurando carga líquida estável ao longo da transição – migrando gradativamente para um imposto de valor agregado – e taxando renda e patrimônio para mudar a carga tributária que recai sobre os mais pobres.