11 de setembro de 2018
Foto: Ricardo Stuckert

Em carta ao Povo Brasileiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou as inúmeras arbitrariedades que o mantêm preso político e que impediram sua candidatura à presidência da República, contrariando decisões e pactos da ONU. Lula também indicou a substituição de sua candidatura pela de Fernando Haddad. A carta foi lida por Luiz Eduardo Greenhalgh durante cerimônia nesta terça-feira (11/09), em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula é mantido preso político há mais de cinco meses.

O ato, que consagrou Fernando Haddad como candidato à presidência pela coligação “O Povo Feliz de Novo” e Manuela D’Ávila como sua vice, foi marcado pelos discursos emocionados de Fernando Haddad e da senadora Gleisi Hoffmann, presidenta do PT. Em sua fala, Haddad lembrou as muitas conquistas de Lula, a perseguição incessante que o ex-presidente sofre e deixou um recado: “Não é hora de ir para casa. É hora de sair pra rua de cabeça erguida e ganhar essa eleição. Nós vamos ganhar essa eleição pelo Lula, pelo PT, pelo PCdoB, pelos movimentos sociais e pelo Brasil, porque o Brasil merece essa vitória”.

“Vocês têm acompanhado a situação do Lula, que é vítima de um processo que não tem prova, sequer tem crime. Lula foi condenado sem ter direito a um processo legal. Mesmo preso há mais de 150 dias, Lula mantém a liderança nas pesquisas de intenção de votos”, disse a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta do PT.

Gleisi ressaltou a tristeza histórica da data desta terça-feira para a democracia, o prazo derradeiro. Ela explicou que o PT sempre acreditou na candidatura de Lula como essencial para tirar o país da crise, mas a Justiça persistiu com a sua impugnação. Ele não teve seus direitos respeitados ao longo do processo. “É um dia de dor. Mas com essa dor e a indignação que nos trouxeram até aqui, aceitamos a decisão do presidente e apresentamos hoje Haddad como representante do PT nas eleições à presidente da República”.

Fernando Haddad falou sobre a emoção em pensar na dor que muitos brasileiros e brasileiras sentirão ao saber que Lula não poderá subir a rampa do Palácio do Planalto. “É uma dor sentida pelo povo mais pobre desse país, que sabe o que representaram os nossos governos em comparação a uma história tão cruel, que penalizou dois terços do povo brasileiro”. Ele enfatizou que Lula representa um divisor de águas na história do Brasil: “ele saiu de dentro do povo e chegou à presidência da República superando todos os obstáculos que a vida lhe impôs. Obstáculos que ainda hoje são enfrentados por uma boa parte do nosso país”. Haddad disse que, depois do governo Lula, imaginava que o Brasil estava realmente fora do mapa da fome, que nós nunca mais iríamos enfrentar o flagelo da fome, mas bastaram dois anos para que o Brasil vivesse um retrocesso.

“Eu fico me perguntando por que tanta injustiça com um homem que não fez outra coisa, durante a sua presidência, que não fosse estender a mão para todos os brasileiros, sobretudo, para aqueles que precisavam da ação decisiva do estado”. Haddad questionou qual teria sido o grande pecado do ex-presidente Lula, e enumerou as muitas conquistas do primeiro operário presidente do Brasil: “será que foi ter aberto a porta da universidade para o filho do trabalhador? Será que foi ter duplicado as vagas públicas nas universidades federais e reservado uma parte para egressos de escolas públicas: negros, indígenas, o filho do trabalhador? Será que foi por ter matado a fome do povo do semiárido?”, entre várias outras conquistas.

“Nós temos um líder, chamado Lula, que inspira a todos. Eles podem até nos derrubar um dia, mas, no outro, a gente levanta e segue na luta”, disse Haddad, ressaltando que “não aceitaremos o Brasil desigual, intolerante. Sabemos do nosso potencial”. O ex-ministro de Lula convocou o povo a andar de cabeça erguida pelas ruas, lutando pela construção de um país diferente. “Não vamos abrir mão de realizar esse sonho. Nossa tarefa é devolver o Brasil para os brasileiros”, disse Haddad.

Confira a íntegra do ato: