14 de agosto de 2018

Fernando Haddad, porta-voz do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e candidato a vice em sua chapa, apresentou, nesta terça-feira (14), em Brasília, as propostas do governo Lula para empresários que compõem a União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS). Durante a sabatina, Haddad afirmou estar grato por poder representar Lula, que gostaria de estar presente, e reafirmou que a candidatura de Lula será registrada na próxima quarta-feira (15/08), junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

Haddad relembrou o compromisso do ex-presidente Lula de recuperar a soberania social e popular do país. O porta-voz lembrou que, nos governos do PT, a economia brasileira viveu seus melhores momentos, com 20 milhões de novos empregos. Ele reitera que a PEC do Teto dos Gastos inviabiliza a gestão pública. “Nós queremos responsabilidade fiscal, mas, no nosso entendimento, essa emenda é irresponsável. Ela não permite sequer que você ganhe eficiência a partir de incrementos que você tenha que fazer. Se a economia voltar a crescer, por que os gastos públicos não poderão aumentar?”, indagou.

Sobre o acesso ao crédito, Haddad lembra que essa questão sempre foi um compromisso de todos os governos do PT. “Lula sempre fala que, se a gente educar o povo com ensino profissional e superior, a gente faz metade da revolução. A outra metade é o acesso ao crédito. Se tivermos um sistema de crédito eficiente, com juros baixos, muita gente vai se emancipar e os talentos vão se revelar. Agora, sem crédito, não se vai longe”.

Haddad defendeu a reforma do sistema bancário como uma das principais medidas para que o Brasil retome sua capacidade de desenvolvimento econômico e social e volte a pensar a grande. “Uma das primeiras coisas que faremos é a reforma do sistema bancário. E isso não virá sem dor para os banqueiros. No nosso entendimento, quanto mais o banco cobrar de spread, mais imposto ele terá que pagar. Ou seja, quando o banqueiro subir os juros, vai doer no bolso dele antes mesmo de doer no bolso de quem tomar emprestado”, disse.

Haddad explicou que o terceiro mandato do governo Lula também vai promover uma reforma tributária com a implantação correta do Imposto sobre Valor Agregado (IVA): “Nós vamos fixar a carga tributária líquida em um determinado patamar. E ela permanecerá estável durante a transição e ninguém vai perder receita real. Vamos gradualmente aumentar a alíquota do IVA na medida em que formos baixando todos os impostos velhos. Com isso, ninguém vai sofrer sobressalto”.

Quanto à Reforma da Previdência, Haddad disse que o plano de governo de Lula vai começar pelos regimes próprios dos Estados, a pedido de governadores e prefeitos, que hoje têm problemas em honrar a folha de pagamento. “O que não vamos fazer é essa reforma proposta por Temer, que penaliza pessoas com deficiência e trabalhadoras rurais. Nós temos no país diferenças gritantes; então, não se pode fazer uma reforma homogênea. Fazer uma reforma é fácil. A questão é quem vai pagar a conta dessa reforma”.

O ex-prefeito de São Paulo falou que na área de segurança, Lula vai chamar para a esfera federal o combate ao crime organizado. Dessa forma, vai adiantar o calendário da SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), adiado pelo governo Temer. “É um projeto de alta tecnologia para garantir a segurança das nossas fronteiras. Esse programa não tem custo. Combate o tráfico de armas, drogas e contrabando”.

Haddad fez ainda um chamamento para que o setor do comércio debata sobre ciência, tecnologia, educação e cultura para que o Brasil volte a crescer.