18 de setembro de 2018

O candidato à presidência pela coligação “O povo feliz de novo”, Fernando Haddad (PT), participou, na manhã desta terça-feira (18/9), de entrevista promovida pela rádio CBN e pelo G1. Ele falou sobre educação, enfrentamento à violência contra as mulheres, reformas bancária e tributária e combate à corrupção.

Dentro de suas propostas de governo, Haddad disse que não pretende aumentar a carga tributária. “Quem aumentou foi o governo do PSDB, nos oito anos do Fernando Henrique. O que nós queremos é que os muito ricos voltem a pagar impostos sobre dividendos para que a classe média e a classe baixa paguem menos impostos. Todos os estudos do IPEA mostram que, no Brasil, quanto mais rico, menos paga imposto. Quanto mais pobre, mais imposto paga. Precisamos reequilibrar o jogo”. Haddad explicou como pretende fazer isso: seu governo vai isentar do Imposto de Renda quem ganha até cinco salários mínimos e cobrará impostos sobre dividendos.

Outra proposta apresentada por ele diz respeito à reforma bancária. Haddad afirmou que o Brasil é o único país do mundo em que o banqueiro empresta dinheiro sem correr risco. “Os bancos aqui só ganham. Em qual país do mundo o banco cobra 300% de juros no cartão de crédito e 120% no cheque especial?”, questionou. Por isso, o candidato quer cobrar mais impostos dos bancos que cobrarem juros altos e, em compensação, cobrará menos impostos dos que abaixarem os juros. “Assim, as pessoas vão poder ter crédito para pagar dívida, abrir empresas, fazer crediário”. Haddad afirmou que vai fortalecer as cooperativas de crédito. Com a renda maior, a classe trabalhadora reativa a economia.

O ex-ministro da Educação também falou sobre o mea-culpa do PSDB, que reconheceu que o golpe foi um erro: “Lula só aceitou ser ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, porque ele sabia que ela estava sendo vítima de um golpe, reconhecido pelo Tasso Jereissati. O Tasso reconheceu que Aécio não deveria ter questionado o resultado das eleições, que o PSDB não devia ter votado as pautas-bomba contra as convicções do partido pra atrapalhar o governo do PT, e ter embarcado no governo golpista do Temer”.

Haddad afirmou que tem gente se reposicionando e que isso acontece do ponto de vista da política. “Se tem organizações que levam 50 anos para pedir desculpas, acho que as pessoas podem pedir desculpas em dois anos. A Globo mesmo pediu desculpas, depois de 50 anos, por apoiar o golpe militar, que levou o Brasil às trevas durante 20 anos”.

“Pra mim, há dois tipos de governo: o que fortalece a corrupção e os que enfraquecem. Reconhecidamente, os nossos governos foram os que mais fortaleceram as instituições de combate à corrupção, que são a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário. Toda legislação de combate e controle foi aprovada nos nossos governos”, afirmou Haddad. Além disso, o candidato voltou a defender uma maior punição ao delator mentiroso.

“A delação com provas é boa porque faz chegar nos criminosos. Agora, o delator que mentiu comprovadamente poder gozar da vida em sua mansão com seu patrimônio intacto? Não dá para aceitar. Será que nada na Lava Jato pode ser aperfeiçoado? Eu acho que o delator que mente tem que perder os benefícios”, disse. Haddad declarou que a Operação Lava Jato, até 2016, tinha um foco, o PT, mas depois abriu as investigações para outros partidos. “O PSDB foi muito protegido. Aqui, em São Paulo, eu acho que não responde até hoje”, disse.

Haddad afirmou que, após os governos do PT promoverem maior expansão da educação infantil, melhorarem indicadores do ensino fundamental, atingirem todas as metas estipuladas pelo Ideb, duplicarem o número de universidades, construírem universidades e escolas técnicas pelo país, possibilitarem que mais de 2 milhões de jovens de baixa renda entrassem em faculdades privadas pelo Prouni, agora o foco maior agora será no ensino médio. “Toda escola federal vai ter que adotar escolas estaduais públicas de baixo desempenho”, afirmou. Haddad também condenou o corte de bolsas promovido pelo governo Temer. “O que acontece é que quando você corta a bolsa, esse aluno se evade antes de concluir. Temer está cometendo um crime, perdendo um investimento de dezenas de milhares de reais que foram investidos”.

Outro vespeiro em que Haddad vai mexer, palavras dele, como presidente da República será a concentração de propriedade dos meios de comunicação. “Vocês sabiam que os jornais brasileiros entraram com uma ação contra todas as agências de notícias estrangeiras que publicam em português, no Brasil, para que não haja concorrência? Não podemos permitir a cartelização dos meios de comunicação. Vamos abrir o mercado”.

Haddad, mais uma vez, declarou que o ex-presidente se interessa em provar sua inocência. Ele falou que esteve com Lula ontem e, como seu advogado, continua trabalhando pela sua defesa junto aos órgãos internacionais, inclusive com a ONU, que deve julgar o mérito do processo do ex-presidente no primeiro semestre do ano que vem. Haddad também falou sobre a solidariedade que o ex-presidente está recebendo de grandes líderes e personalidades mundiais. “O Lula não vai abrir mão da defesa da sua inocência. Ele quer que reconheçam que ele foi vitima de um erro judiciário”, disse.

Haddad falou do compromisso dos governos do PT com os brasileiros, que abriram as portas das universidades para jovens das camadas mais pobres da sociedade, levaram luz para a casa das pessoas que viviam no escuro em pleno século 21 e fizeram chegar água em lugares longínquos com a transposição do rio São Francisco.

Sobre Ciro Gomes, Haddad reiterou que não é do seu feitio fustigar pessoas que admira e respeita: “Pertencemos ao mesmo campo político contra o obscurantismo”.

Questionado pelos jornalistas por que Lula, e não Dilma, aparece no seu programa eleitoral na TV, Haddad respondeu que usar a imagem do ex-presidente é um ato de desagravo. “Temos um dado objetivo: nosso candidato era o Lula e lutamos até os 47 minutos do segundo tempo para conseguir isso. Eu vou usar, sim, a imagem do Lula. Vou usar de todos os meus apoiadores”, disse ele. Em relação a Dilma, ele afirmou que será feita uma pequena reparação pela grande violência sofrida por ela e que Minas Gerais vai elegê-la para o Senado. “Ela vai ganhar de W.O., porque o Aécio não tem condições de competir com ela”.

Haddad combateu a afirmação de que o BNDES privilegiava algumas empresas. “Quem diz isso não conhece o funcionamento da máquina pública”. Para ele, o BNDES é importante porque, sem ele, as empresas brasileiras morrem. “Se você tiver concorrência entre os bancos, você não precisa do BNDES. Se os juros domésticos fossem iguais aos internacionais, o governo não seria obrigado a fomentar as empresas brasileiras. Essa distorção vai ter que ser corrigida”.

Sobre segurança pública, Haddad reafirmou seu compromisso em municiar a Polícia Federal com um contingente especial que combaterá as organizações criminosas para que as polícias dos Estados possam focar no combate aos estupradores, homicidas, feminicidas e ladrões.

Quanto à violência contra a mulher, Haddad afirmou que a aprovação da lei Maria da Penha foi muito benéfica, e que pretende fazer em nível nacional o que foi feito quando era prefeito de São Paulo. “Não basta legislação punitiva. Esses crimes são subnotificados, porque a vítima está dentro da casa do seu agressor. Nós fizemos um mapeamento da violência e atuamos com a guarda civil para ir de porta em porta para perguntar se as medidas estavam sendo cumpridas”.

Para Haddad, o Mais Médicos foi o maior legado na área social do governo Dilma, por ter possibilitado a 60 milhões de pessoas o acesso à assistência médica de qualidade pela primeira vez na vida. Por esse reconhecimento ao programa, o candidato afirmou na entrevista que no seu plano de governo consta o Mais Médicos Especialidades. Ele reafirmou a importância de se investir mais em ciência e em tecnologia, em busca de vacinas e remédios contra epidemias.