07 de setembro de 2018

O candidato a vice-presidente na coligação “O Povo Feliz de Novo”, Fernando Haddad, participou de sabatina na GloboNews, na noite desta quinta-feira (6/9), e começou manifestando sua solidariedade ao candidato do PSL que foi esfaqueado, lamentando muito pelo ocorrido.

Questionado sobre a radicalidade apresentada hoje na política no país, Haddad enfatizou que o PT busca sempre o voto soberano do povo para encontrar as saídas e soluções. “O PT tem um compromisso com a liberdade e uma campanha muito propositiva. Nosso programa procura fortalecer as instituições. Nunca jogamos no radicalismo verbal. Mantemos um diálogo republicano com as instituições”, disse.

Ele explicou que o partido continuará seguindo a linha de defender a paz, a não violência e lembrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um grande conciliador, que sempre manteve a porta do Palácio do Planalto aberta a todos os cidadãos do país.

Sobre a candidatura de Lula à presidência, Haddad explicou que, no dia 15 de agosto, houve o registro da chapa no TSE – Lula presidente, Haddad vice – e que serão utilizados todos os recursos legais disponíveis para que isso seja mantido. “Nossa pretensão é de que o tratado da ONU, ratificado pelo Brasil, seja respeitado”, disse ele, referindo-se à decisão do Comitê de Direitos Humanos do organismo internacional, que determinou que Lula tenha assegurado seu direito de ser candidato.

Questionado sobre o processo a que Lula responde, o candidato a vice-presidente afirmou que não consegue entender porque uma pessoa é condenada por um “ato de ofício indeterminado” e que esse processo contra Lula “tem muitos vícios. Daqui a alguns anos, vamos discuti-lo como casuístico na história do Direito”. Ele se lembrou ainda de outros erros judiciários e afirmou que eles podem ser revertidos: “Vamos lembrar de Gushiken, que foi absolvido quase em seu leito de morte”.

Ao abordar a questão da corrupção, Haddad explicou que os governos do PT foram os responsáveis pela criação de mecanismos contra a corrupção, atitude que nenhum outro governo tomou, fortalecendo a Polícia Federal, o Ministério Público e a Controladoria Geral da União. O candidato a vice lembrou ainda o caso Tacla Durán e a recusa insistente da Lava Jato em ouvi-lo.

Outro tema do debate foi com relação à economia do país durante as gestões petistas. Haddad relembrou que o PT esteve à frente da presidência em três governos completos que apresentaram superávit primário, redução da dívida e melhor distribuição de renda. Explicou, também, que a partir de 2014, houve instabilidade política no país, com sabotagem ao Brasil e o início da articulação do golpe, o que prejudicou a economia.

Haddad reforçou mais uma vez a importância do respeito às instituições democráticas e o extremo dano que o golpe fez ao país: “democracia é coisa frágil, que se alimenta todo dia. Não se faz uma brincadeira como Aécio Neves fez. Foi um desrespeito à soberania. Mas sabotar o país? Cooptando um vice frágil do ponto de vista de caráter, em torno de um projeto que destruiu o país”.

O candidato a vice-presidente se lembrou, ainda, da importante política e econômica dos governos do PT, que geraram mais de 20 milhões de empregos no país, e de seu trabalho na prefeitura de São Paulo, onde, ao sair, entregou a cidade com grau de investimentos, precatórios pagos, custeio controlado e contas em ordem.

Haddad foi interrompido ao longo de toda a sabatina pelos entrevistadores, que faziam perguntas e as respondiam simultaneamente. Na pauta da economia, por exemplo, teve dificuldades em apresentar propostas para o próximo mandato do PT, uma vez que era repetidamente bombardeado por acusações. O ex-ministro da Educação de Lula denunciou a parcialidade da emissora ao vivo: “as análises que eu ouço aqui na GloboNews nunca contam com o outro lado para falar dos efeitos da crise na economia. Não pode ser só quem pensa de um determinado jeito”.