19 de setembro de 2018

Quando Fernando Haddad se despediu do Ministério da Educação, em 2012, após seis anos no cargo de ministro, seu legado era enorme. Juntamente com o presidente Lula e a presidenta Dilma, ele havia feito uma verdadeira revolução no setor. “Pude apresentar projetos ousados, sonhar com um país diferente e ver esse sonho se tornar gradualmente realidade”, disse ele, em sua despedida do MEC, cujo orçamento empenhado saltaria de R$ 18,1 bilhões para R$ 100 bilhões durante as gestões do PT. Haddad disse ainda que “foi uma honra estudar os trabalhos na educação sob o comando de um metalúrgico. Falo isso como um professor universitário”.

Naquele momento, fazia pouco mais de dez anos que o filho do comerciante Khalid Haddad e da professora e dona de casa Norma Thereza Goussain Haddad havia entrado na gestão pública, mas sua contribuição para a melhoria e democratização do ensino no país já ficava para a história.

Bacharel em direito, mestre em economia e doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo, Haddad  se tornou professor da USP e chegou a ser consultor de uma grande instituição bancária e da Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe). Na Fipe, aliás, foi responsável pela criação da Tabela Fipe, que até hoje é referência para calcular preço de seguro de automóveis e IPVA. Além de político, advogado e professor, o petista é também escritor, já tendo publicado cinco livros.

Filiado ao Partido dos Trabalhadores em 1983, Haddad exerceu seu primeiro cargo político na época de sua graduação na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da USP. No Centro Acadêmico XI de Agosto, foi, a princípio, tesoureiro, fazendo uma gestão que o levou a ser presidente na eleição seguinte. Um observador mais atento podia ter previsto o que viria duas décadas depois.

Em 2001, Fernando Haddad foi convidado por João Saad, secretário das Finanças e Desenvolvimento Econômico de Marta Suplicy na Prefeitura Municipal de São Paulo para assumir o cargo de subsecretário na pasta. A partir daí, nunca mais sairia da vida pública, embora nunca tenha deixado de ser professor da USP.

Em Brasília, ele chegou em 2003, como assessor especial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, no primeiro mandato de Lula. E,  novamente,  entrou de cabeça na proposta:o mais importante era fazer parte do projeto de governo do ex-operário que havia chegado à presidência da República. Na pasta, Haddad  criaria a lei de Parcerias Público-Privadas. Ainda no MPOG, Haddad desenvolveu ,junto com Ana Estela Haddad – que trabalhava no Ministério da Educação – o projeto inicial do Programa Universidade para Todos ( Prouni) ,programa de bolsas de estudos totais e parciais em  faculdades privadas, destinado a pessoas de baixa renda.

Um ano depois, Haddad transferiu-se para o Ministério da Educação, assumindo o cargo de secretário-executivo da pasta, comandada então por Tarso Genro. Numa das primeiras reuniões que teve com o ministro, ele apresentou o projeto do Prouni, que se tornaria um dos maiores projetos de inclusão educacional no ensino superior, colocando mais de 2 milhões de jovens na universidade.

Em 2005, foi nomeado Ministro da Educação por Lula. Haddad conta que, quando se tornou ministro, Lula falou a ele à equipe: “Eu não quero dedicação integral de vocês, eu quero dedicação revolucionária de vocês.Eu quero uma dedicação revolucionária na Educação. Não vai faltar apoio pra vocês. Façam”.

Em 12 anos, ele  levou universidades para todo o país; reformulou o FIES e o Enem; ampliou o Fundeb; criou e implementou o Ideb; criou o Piso Nacional do Magistério e a Universidade Aberta para formação de professores; estabeleceu ensino fundamental de 9 anos e programas de permanência com o Caminho da Escola, criou o Plano de Desenvolvimento da Educação, entre diversos outros programas. Não à toa, Fernando Haddad foi definido por Lula como “o mais importante ministro da educação” do país.

Haddad só deixou o cargo de ministro, em 2012, já no governo de Dilma, para disputar a eleição para prefeito da cidade de São Paulo, da qual saiu vitorioso, com 3.387.720 votos (55,5% do eleitorado). Na prefeitura, Haddad implementou programas em parceria com o governo federal como o Pronatec, Casa da Mulher Brasileira, Plano Juventude Viva e São Paulo Carinhosa. Sua gestão também ficou conhecida pela vanguarda em programas sociais como o “De braços abertos”, para população em situação de rua, o Hora Certa, na área da saúde, o fundo municipal de cultura e uma série de programas relacionados à mobilidade urbana, como o Transporte municipal 24 horas, passe único pra estudantes e beneficiários de programas sociais e ciclovias, investimento em iluminação pública e pontos de wifi gratuitos pelas praças da cidade.

Família

Pai de Frederico, 26, e Carolina, 18, Haddad é casado há 30 anos com Ana Estela Haddad. Graduada em odontologia, mestre e doutora em ciências odontológicas, Ana Estela também é professora na USP. Ela trabalhou nos ministérios da Saúde e Educação, e participou da concepção do Prouni.

Como primeira-dama da capital paulista, Ana Estela coordenou o programa São Paulo Carinhosa, política pública voltada à intersetorialidade de diferentes áreas da administração para a promoção do desenvolvimento integral de crianças de até 6 anos de idade.