21 de abril de 2022
Foto: Ricardo Stuckert

Em 1989, durante a campanha que marcou o retorno à democracia no Brasil, o jingle do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha a frase “meu primeiro voto pra fazer brilhar uma estrela”. Na época, a Constituição de 1988 garantiu algo inédito, a possibilidade de brasileiros entre 16 e 18 anos participarem voluntariamente do processo eleitoral. Hoje, 33 anos depois, uma nova geração de eleitores pode ajudar a mudar a história do país. Nesta quinta-feira (21), o ex-presidente Lula visitou Heliópolis, em São Paulo, a convite da Unas, a associação dos moradores do local, e do De Olho Na Quebrada, uma organização de jovens da comunidade que tem tido um papel importante para incluir a população no processo democrático.

É o caso de Analice Russi. A estudante de 17 anos foi uma das 160 pessoas que tiraram seus títulos de eleitor nos mutirões promovidos pelo De Olho Na Quebrada em Heliópolis, ao longo das últimas três semanas. Enquanto esperava para entrar na quadra da Unas, onde aconteceu o encontro de Lula com os jovens, ela contou sobre a expectativa de votar pela primeira vez.

Foto: Ricardo Stuckert

“Eu estava me planejando para tirar o título mesmo, mas o mutirão facilitou demais. Estou muito ansiosa pela eleição, é interessante poder participar, fazer parte do processo”, afirmou a jovem, que disse que vem sendo estimulada pelos pais e pela irmã mais velha a se tornar apta a votar desde que fez 16 anos, no ano passado.

“Meu pai, minha mãe e minha irmã são mais ligados em política e me incentivaram muito. Acho que é muita responsabilidade poder votar. Fazer parte da eleição, obviamente poder cobrar as pessoas em quem eu votar e poder ser mais uma voz, tudo isso me atrai”, contou a moradora da comunidade.

Ajudando a comunidade

Um dos responsáveis pelo projeto, Gabriel Feitosa, falou com orgulho sobre as realizações do De Olho Na Quebrada. Além dos mutirões para regularização eleitoral, o projeto faz pesquisas com a população da comunidade, para ajudar a Unas a elaborar suas políticas de atuação em Heliópolis.

“Nossa ideia é ajudar os jovens da comunidade a exercer a cidadania. Nós somos o futuro e é nosso direito participar da eleição. Nesse processo, também ajudamos outras pessoas, nos mutirões apareceram várias pessoas de idade querendo regularizar seus títulos. A gente descobriu que 55% do pessoal da comunidade não está com o título, mas 94% deles querem tirar”, destacou. 

Segundo Gabriel, as pesquisas feitas no projeto foram importantes para nortear a atuação da Unas durante a pandemia de Covid-19. “Usando nossos dados, conseguimos mapear as necessidades e distribuir 40 mil cestas básicas, além de produtos de higiene e máscaras”, ressaltou. “Com isso, queremos ampliar a voz de toda a comunidade”.

Em seu discurso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou que passou parte de sua juventude passando por Heliópolis, já que vivia na Vila Carioca, bairro da zona sul de São Paulo vizinho à comunidade. Eram tempos bem diferentes, quando havia pouco incentivo à participação política.

“Eu acho extraordinária essa elevação da consciência política de vocês, porque na idade de vocês, eu não tinha consciência política. Aos 18 anos eu só gostava de futebol, gostava de fazer guerra de mamona perto do Hospital Heliópolis. Quando eu tinha 18 anos, eu era tão despolitizado que dizia que não gostava de política e nem de quem gostava de política. Eu achava que era o máximo dizer isso. Tirar o título é provar que vocês estão qualificados não apenas para escolher quem vai governar este país, mas também podem escolher a vida de vocês”, relatou.