24 de março de 2022

Em entrevista ao vivo hoje (24) à Rádio Super Notícia, de Belo Horizonte (MG), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que se sente mais preparado para tentar voltar ao cargo, caso se candidate às eleições de outubro, e que, se for eleito, não vai querer perder um dia sequer para tentar fazer mais do que fez em seus dois mandatos, entre 2003 e 2010.

“Esse Lula que vai voltar é um Lula mais preparado, é um Lula mais calejado, um Lula mais sabido. E a primeira coisa que eu vou fazer é, em janeiro, convocar uma reunião com todos os governadores eleitos, para que a gente estabeleça um plano de trabalho com definição das obras de infraestrutura mais importantes de cada estado, para que a gente não perca um dia sequer dos quatro anos de mandato que a gente pode ter, se ganhar as eleições”, afirmou.

Perguntado se teme por um processo eleitoral mais tumultuado e possivelmente mais violento do que os anteriores, o ex-presidente afirmou que já ouviu muitas pessoas que têm esse tipo de temor, mas que acredita em uma disputa mais sadia.

“Eu estou hoje um homem mais feliz, mais sadio, mais leve. Eu, efetivamente, só quero pensar no futuro do povo brasileiro. Eu tenho 76 anos de idade, eu faço minha ginástica, faço meu checkup, acordo todo dia 5h30 da manhã. Eu não quero ficar pensando nisso, quero pensar nos problemas do povo brasileiro”, disse.

Lula também falou para a rádio mineira sobre a polarização que muitos analistas afirmam que ele e o PT tentam colocar no processo eleitoral e lembrou que, em outras eleições, a disputa com o PSDB envolveu menos retórica violenta do que hoje.

“Essa palavra, polarização, eu não sei quem foi o gênio que inventou ela como uma coisa problemática. A polarização existe em qualquer país do mundo, quando tem disputa de duas pessoas. A polarização entre Atlético e Cruzeiro é muito forte, mesmo com o América crescendo. Nós polarizamos em 94, com o Fernando Henrique Cardoso; em 98, com o Fernando Henrique Cardoso; em 2002, com o Serra; em 2006, com o Alckmin; em 2010, com o Serra; em 2014, foi o Aécio. A polarização histórica neste país foi entre PT e PSDB. Houve uma polarização que é uma polarização política, digna, decente, não tinha fake news, não tinha ódio, não tinha mentira. Mas agora estamos disputando com um cidadão que, segundo a imprensa, conta oito mentiras por dia”, disse.

Os jornalistas da Super Notícias também perguntaram sobre uma possível formação de chapa presidencial com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que se filiou nesta semana ao PSB, e se essa atitude seria contraditória pelo fato dos dois terem disputado a presidência em 2006.  O ex-presidente disse que a possível junção com Alckmin, assim como outros partidos, se dará na perspectiva de recuperar o Brasil.  “O Brasil está sendo destruído e queremos recuperar o Brasil, fazer o Brasil voltar a ser alegre, fazer o Brasil voltar a acreditar no futuro, fazer as pessoas sonharem, acordarem e tornar o sonho realidade. É isso que nós queremos fazer”, disse, lembrando sua boa relação com mineiro José Alencar, que foi seu vice nos dois mandatos.

“Eu já tive o Zé Alencar de vice, uma pessoa que eu não conhecia. E tive a oportunidade de conviver com uma das pessoas mais extraordinárias que eu conheci na vida, quisera Deus que todo presidente da República no mundo tivesse um vice da qualidade do Zé Alencar, da ética, da competência, da capacidade de persuasão, da vida política na adversidade. O Alckmin foi meu adversário em 2006, mas isso não é problema. Nós estamos na verdade tentando construir uma proposta de reconstrução do Brasil”, finalizou.