26 de março de 2022
Foto: Ricardo Stuckert

Em discurso no evento de celebração dos 100 anos do PCdoB, em Niterói (RJ), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou da parceria histórica do partido com o PT e fez uma homenagem a lideranças do PCdoB com as quais conviveu em diferentes momentos de sua trajetória política. As ideias de líderes que já morreram, disse, devem permanecer como fonte de luta para que os novos militantes não desanimem nunca.

Na homenagem, Lula disse que não precisaria concorrer a um novo mandato depois de deixar o governo em 2010 com 87% de aprovação e de ter feito a maior política de inclusão social da história do Brasil. O ex-presidente, porém, destacou que o Brasil precisa ser reconstruído e voltar a ter soberania.

“O dado concreto é que eu não precisaria voltar. Se eu voltar, eu vou ter que fazer mais e melhor do que eu fiz da primeira vez. Vamos ter que reconstruir uma coisa chamada soberania nacional. Significa que nós precisamos de democracia e precisamos ser donos do nosso nariz”, disse, acrescentando que, junto aos demais partidos, será possível recuperar a soberania, a dignidade e a relevância que o Brasil já teve no cenário internacional.

“Vamos chamar todo mundo que tem competência para ajudar a mudar esse país. Vamos trabalhar dia e noite para a gente fazer o povo voltar a sorrir. Nós temos o direito de ser felizes outra vez.

Homenagens
Lula citou João Amazonas e a Haroldo Lima, integrantes do PCdoB mortos em 2002 e 2021, respectivamente. Amazonas, lembrou Lula, foi figura fundamental para a candidatura dele em 1989. Lima teve papel de destaque no governo Lula, nomeado como dirigente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no período em que o Brasil descobriu o pré-sal.

No discurso, Lula também reconheceu a importância da UNE nas conquistas dos governos dele na área educacional. Segundo ele, grande parte dos avanços deveu-se à coragem da UNE de enfrentar setores fascistas da sociedade que não queriam programas como Prouni e Reuni. “Essas pessoas achavam que a gente ia inflar as universidades colocando muita gente e que perderia qualidade, e a UNE esteve 100% do nosso lado”, disse.

Apoio
Partidos de esquerda reunidos no evento explicitaram o apoio ao ex-presidente e defenderam a união das siglas numa ampla frente democrática para derrotar Bolsonaro e a direita fascista em outubro. O PCdoB, que sempre esteve ao lado do PT na disputa presidencial, desde 1989, formalizou o apoio a Lula este ano. Luciana Santos, presidenta da sigla, disse que o Brasil está uma terra arrasada, com a destruição patrocinada pelo governo Bolsonaro, e que Lula é o homem certo para garantir a agenda da soberania nacional e voltar a olhar para o povo pobre do país.

“Temos convicção de que temos todas as condições de derrotar o neofascismo, derrotar o retrocesso e derrotar o pior presidente da história do Brasil. Em outubro, vamos dar um retumbante fora Bolsonaro. E isso só será possível exatamente porque estamos construindo essa unidade popular”, disse a presidenta do PCdoB, que é também vice-governadora de Pernambuco.

Representando o PSB no evento, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, disse que o partido está consciente do papel do campo progressista de reconstruir o Brasil em 2022. “Diante de tanto retrocesso e tanta coisa ruim, o PSB vem se juntar e ajudar a reconstruir o Brasil”, disse.

Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói, onde o PCdoB foi criado há exatos 100 anos, lembrou do legado dos governos do PT para a cidade e para o Rio de Janeiro, com grande impulso para as indústrias naval e óleo e gás – esvaziadas pelo atual governo. Para ele, é preciso construir um novo tempo de unidade das forças democráticas e de vida digna para o povo brasileiro.

A juventude presente no ato como as presidentas da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) também declararam apoio a Lula. “A juventude brasileira quer voltar a sonhar, disse Rozana Barroso, presidente da UBES e militante da União da Juventude Socialista.