15 de dezembro de 2021
Foto: Ricardo Stuckert

Em entrevista à Rádio Clube Blumenau, no fim da manhã desta quarta-feira (15/10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a política de reajustes dos combustíveis tem que ser compatível com a necessidade do povo e não com a necessidade do acionista.

“Não há nenhuma razão para que o preço da gasolina seja atrelado ao dólar, ao preço internacional. Não precisamos dessa loucura de se subordinar para fazer lucro na perspectiva de distribuir 70 bilhões de dólares para o acionista minoritário. Parte do lucro deveria ser revertida para reduzir o preço da gasolina, o preço do diesel e o preço do gás, e não para dividir para os acionistas. Não é assim que funciona a economia”.

Lula lembrou que, em seu governo, a Petrobras – “uma empresa de investimento e não só de petróleo” – foi transformada na segunda maior empresa de energia do mundo e que, no momento da regulamentação do pré-sal, foi decidido que o óleo seria do povo brasileiro e não da empresa que prospecta. “Tudo isso foi destruído porque as empresas de petróleo queriam.

Questionado sobre corrupção na Petrobras, Lula lembrou que os diretores da empresa tinham mais de 30 anos de casa quando o PT governava, eram concursados e não indicados pelo PT. “Se eles cometeram crimes, eles pagaram e foram presos. É assim que tem que funcionar. No mundo inteiro quando tem corrupção numa empresa, você apura, se o dono da empresa roubou, você prende o dono da empresa, mas você deixa a empresa funcionando para que os trabalhadores não sejam prejudicados”.

 Lula criticou que no Brasil houve a decisão de punir a empresa e os trabalhadores em benefício de empresas internacionais com interesse em entrar no Brasil.  

Lula disse que saiu da cadeia mais preparado e mais consciente e que tem consciência que o ex-juiz Sérgio Moro era chefe de uma quadrilha e que a força tarefa da Lava Jato em Curitiba entra uma quadrilha coordenada pelo Dallagnol em parceria com o Departamento de Justiça dos EUA e que, além de tirar Lula das eleições de 2018, o objetivo era tentar desmontar toda uma estrutura da Petrobras, acabar com a indústria nacional de óleo e gás,  tentar acabar com a regulamentação que devolvia o petróleo ao povo brasileiro e acabar com a indústria de engenharia do Brasil.

“Esse processo que me levou a prisão criou um prejuízo ao Brasil de 272 bilhões de reais e fez com que o Estado deixasse de arrecadar 58 bilhões. Tudo isso está provado e denunciado. Eu saí mais forte da cadeia. Fizemos um livro, antes de eu ser preso, e o nome do livro é: a verdade vencerá”. Lula disse que os envolvidos na farsa envergonham o Ministério Público.

“O Ministério Público é uma instituição que merece respeito e que precisa ser forte e independente”.