12 de dezembro de 2019

Do Instituto Lula 

Se o governo insistir na política econômica baseada em privatizações, empregos precarizados e corte de investimentos públicos, a economia brasileira terá a recuperação mais lenta de toda sua história. Alguns índices, como o PIB per capita, só atingirão os níveis de 2014 daqui a mais de duas décadas, entre 2035 e 2038. A avaliação é do grupo de economistas do Núcleo de Acompanhamento de Políticas Públicas (Napp) e foi apresentada na manhã desta quinta-feira (12) ao ex-presidente Lula.

Apesar da avaliação negativa do direcionamento econômico que começou com Temer e se aprofundou com Bolsonaro, os economistas apontaram saídas que podem ser tomadas desde já, e com baixo custo para o governo.

O coordenador do grupo, o ex-senador Aloizio Mercadante, disse que boa parte do pequeno crescimento que deve ser registrado neste ano deve-se a políticas que contrariam o discurso liberal do ministro Paulo Guedes e equipe. “Eu chamo de subkeynesianismo envergonhado, porque eles dizem que não fazem intervenção no mercado, mas estão fazendo com a liberação do FGTS, do PIS… mas são ‘voos de galinha’, políticas que não se sustentam no longo prazo”.

O grupo apresentou duas propostas que já estão prontas: o Programa Emergencial de Emprego e Renda (PEER)  e a proposta de Reforma Tributária Justa e Solidária . O programa emergencial de emprego e renda prevê a criação de mais de sete milhões de empregos, e a Reforma Tributária Justa e Solidária encontrou uma fórmula de, sem ampliar a carga tributária, cobrar impostos de uma maneira mais justa. Hoje, os ultra-ricos, com renda superior a 240 salários mínimos, têm mais de 70% de seus rendimentos isentos.

Os economistas presentes no encontro fizeram inúmeros alertas para a situação econômica para a qual a agenda neoliberal jogou o Brasil. O fraco aumento de 1% do produto interno Bruto (PIB) previsto para 2019, comemorado pelo governo, é de baixa qualidade, pois está galgado no aumento da concentração de renda e na precarização do emprego, avalia Guilherme Melo. Para o economista, o próprio governo está impondo problemas estruturais que vão impactar negativamente em um futuro próximo como a venda de estatais, a desindustrialização e a criação de empregos informais com baixos salários.

Ao final da apresentação, Lula fez um comentário elogiando o trabalho do grupo e cobrou dos partidos e dos movimentos sociais maior participação nas ruas do país para ampliar o diálogo com o povo brasileiro. “Precisamos suprir essa deficiência para vencer essa guerra. Quais são nossos locais de luta? Perderemos no Congresso e no Judiciário. O movimento sindical está fragilizado. Precisamos convencer os sindicalistas de que é preciso fazer mais sacrifícios. Temos que voltar a ser um partido de rua, não jogar suas fichas só no Congresso. Nossos parlamentares precisam sair às ruas, panfletar, discutir e informar a população. É preciso gritar, usar caminhão de som, ir em porta de terminal, de fábrica. Gritar em todos os cantos o que está acontecendo no Brasil. Um desmonte total do que foi construído na história do Brasil”, afirmou.

Lula também denunciou a mídia hegemônica, por aceitar tudo que o governo neoliberal propõe e, muitas vezes, impõe: “Os meios de comunicação voltaram a adotar a política do pensamento único. Eu assisti quase todos os debates sobre a reforma da Previdência e não tinha ninguém que discordasse da proposta do governo. Parte da mídia até discorda do Bolsonaro na política, mas aceitam tudo que o Guedes faz na economia”.

Para finalizar, o ex-presidente reiterou sua força e vontade de brigar pelo povo brasileiro junto ao PT. “Tudo que eu quero na vida é que meu partido e os movimentos sindicais e sociais polarizem esse país. Não dá para ser omisso, os pobres estão pagando um preço muito alto, precisamos chamar esse povo para a luta pelo princípio de soberania. Defender o país, o emprego, a renda, o consumo, a educação. Eu não tenho alternativa a não ser brigar por esse país, em defesa do trabalhador. É o que me motiva”, declarou.