22 de fevereiro de 2022
Foto: Ricardo Stuckert

Em entrevista à rádio Passos FM, de Minas Gerais, na manhã desta terça-feira, 22, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se posicionar contrário à privatização da Eletrobras e fez um apelo para que a sociedade se mobilize a fim de evitar que o governo Bolsonaro siga promovendo o desmonte do patrimônio público.

“É importante que haja reação da sociedade se manifestando publicamente, pressionando vereadores e deputados para não permitir os abusos que estão ocorrendo. É desmonte dos bancos públicos, desmonte da Petrobras, desmonte da BR, desmonte dos gasodutos, desmonte das empresas de fertilizantes e, agora, o desmonte da Eletrobras. Daqui a pouco é o desmonte total do Brasil”, declarou.

Ele disse que é importante que se tenha consciência que vender a Eletrobras a preço de banana, como querem fazer, é se desfazer do patrimônio público. “O resultado disso será mais desemprego, será mais redução de salário, será mais trabalho intermitente e mais trabalhadores fazendo bico, porque não terão emprego seguro. Por isso, sou totalmente contra”, afirmou.

Lula disse ainda que o grande problema que estamos vendo no país é que o autoritarismo de Bolsonaro vem impondo o desmonte, sem ouvir a sociedade, levando as coisas a toque de caixa, sem nenhum respeito nem comportamento democrático, o que está fazendo com que quase tudo que tenha sido construído no país esteja sendo destruído. Ele citou o programa Minha Casa, Minha Vida, que foi paralisado na região, assim como o programa de creches. “É porque é um governo de destruição, é um governo que prefere fazer fake news todo santo dia”.

O ex-presidente ressaltou o papel estratégico da chamada holding das holdings do setor elétrico e disse que a Eletrobras pode atuar como reguladora do sistema elétrico do país para, por exemplo, não permitir aumentos abusivos das tarifas como o Brasil está vivendo agora. “Por isso é que sou contra”, enfatizou, pontuando ainda que os interessados em comprar a empresa pensem bem antes de apresentarem suas propostas, se de fato ela for posta à venda neste ano.

“Os empresários que tiverem juízo precisam contar até dez antes de fazer a loucura de comprar a Eletrobras a preço de banana porque o que aconteceu no Tribunal de Contas já foi um abuso liberar a venda”, disse, criticando também o governo Bolsonaro por não saber administrar. “Esse governo só saber destruir e vender as coisas públicas”

Lula voltou a ressaltar a importância de que os contrários à venda se manifestem. Para ele, a venda da estatal, que tem uma das suas principais empresas – Furnas – na região de Passos, deveria passar por referendo ou discussão no Congresso Nacional, o que o governo não quer.

“A gente ainda tem tempo de fazer pressão para que a Eletrobras não seja privatizada”. O ex-presidente defendeu também que Passos e toda a região do entorno do Lago de Furnas se posicione para que não haja redução das cotas.  Segundo ele, elas são importantes não só para produção de energia, mas para permitir irrigação em pequenas e médias propriedades rurais, assim como assegurar água para piscicultura e turismo, outros potenciais econômicos da região.

“Se houver uma crise energética, o povo será muito prudente para concordar que se gere mais energia. É importante que o povo seja sujeito da história e possa se manifestar para dizer sim ou não para aquilo que deseja. É importante  que todos nós tenhamos consciência de que vender a Eletrobras a preço de banana, como querem, é se desfazer do patrimônio público para enriquecer ainda mais os mais ricos”.

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