23 de setembro de 2021
Foto: Ricardo Stuckert

A revista inglesa, ex-presidente diz que preservação traz oportunidades e ampla maioria dos brasileiros quer a floresta amazônica de pé

O processo de reconstrução do Brasil, que leve o país a uma nova etapa de desenvolvimento não pode estar dissociado de uma agenda ambiental, afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à revista inglesa New Internationalist. Lula também ressaltou que a destruição da Amazônia não interessa ao Brasil, apenas a grupos de interesse com visões retrógradas. “A ampla maioria dos brasileiros quer a floresta de pé. Não podemos confundir Bolsonaro com o Brasil, nem alguns marginais, grileiros, uma parcela minoritária e atrasada de proprietários rurais com os brasileiros”, afirmou.

A íntegra da entrevista foi reproduzida nesta quinta-feira (23) na coluna de Leonardo Sakamoto, no UOL. Nela, o ex-presidente citou alguns dos elementos que devem constar de um projeto para o país que equacione desenvolvimento e preservação ambiental. Lula citou a recuperação de bacias hidrográficas, um agronegócio sustentável, cooperativas de reciclagem nas cidades e de preservação da floresta, como de castanheiros, seringueiros, piscicultores na Amazônia, além do desenvolvimento do mercado de compensação de carbono e a geração de energia descentralizada e limpa.

“As oportunidades para um país como o Brasil em biotecnologia, em manter a floresta de pé, em investimentos em energia solar e eólica, particularmente na região Nordeste colocam o conhecimento – pesquisa científica e tecnológica – e a preservação do meio ambiente como centrais em qualquer futuro que o país precisa voltar a construir para gerar empregos, renda e qualidade de vida para sua população”, resumiu Lula.

‘Brasil voltará para um rumo humanista’

O importante papel do Brasil no mundo é inegável e as condições para que o país volte a exercer um papel positivo no cenário internacional em pouco tempo também foram avaliadas pelo ex-presidente Lula na entrevista. 

“Os que vieram depois [das gestões progressistas], no Brasil e nos outros países, para destruir a integração da América do Sul e a cooperação Sul-Sul só tiveram que restabelecer uma ordem quase colonial das relações internacionais”, avaliou Lula. “Muitos países já estão voltando a construir uma política multilateral e de integração na região que será fortalecida quando o Brasil voltar para um rumo mais humanista.”

Na entrevista, o ex-presidente afirmou que o Brasil será sempre importante no cenário geopolítico por seu tamanho e posição na América Latina, mas que foi reduzido a um pária internacional na gestão Bolsonaro. “Foi uma opção dele de se submeter nem aos Estados Unidos como país, mas ao [Donald] Trump e transformar o Brasil em um pária. Eu acho que o Brasil pode recuperar o papel positivo que teve no mundo na primeira década do século 21.”

Retomada de papel internacional

Lula lembrou que mantém boas relações com muitas lideranças ao redor do mundo e, em especial, na América Latina. Este saldo positivo de sua passagem pela Presidência da República pode ser reativado para recolocar o Brasil à frente de iniciativas globais.

O ex-presidente diz que, neste período de reconstrução das relações internacionais, considerando inclusive o cenário pós-pandemia, será necessário repensar a governança global de forma que ela seja mais inclusiva. Ele defendeu a reforma no Conselho de Segurança da ONU, a reformulação da divisão de votos no FMI, no Banco Mundial, entre outras instituições globais. E ainda destacou a necessidade de “reanimar o G-20”, para “construir as soluções para os problemas comuns como a desigualdade, as mudanças climáticas, o combate à fome e contra pandemias”.